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Acordo Ortográfico: Opositores estão fechados em "comportamentos autistas" - Carlos Reis

Acordo Ortográfico: Opositores estão fechados em "comportamentos autistas" - Carlos Reis

Lisboa, 07 Abr (Lusa) - O professor universitário Carlos Reis classificou hoje como "comportamentos autistas" os daqueles que se opõem ao Acordo Ortográfico, numa conferência internacional e audição parlamentar sobre o tema hoje realizada na Assembleia da República.

"Um acordo (...) é um encontro de vontades, fundado no reconhecimento da dignidade das partes, sem preconceitos, complexos ou reservas mentais, [que] implica disposição para o diálogo e para a abertura, não o fechamento em comportamentos autistas", defendeu o catedrático de Literatura Portuguesa.

Salientando que, "ao contrário do que tem sido dito, o Acordo Ortográfico é uma das questões mais debatidas dos últimos 20 anos", Carlos Reis frisou que "um acordo implica também o pragmatismo que leva a que se concorde no que é possível concordar, sem prejuízo de diferenças que não põem em causa o essencial da concordância".

"Se um acordo incide na ortografia - insistiu - então, reconheça-se que ele visa aquele domínio linguístico que é mais convencional e susceptível de reajustamentos rapidamente incorporados pelo uso e sobretudo pelas crianças, que são os falantes do futuro".

Segundo o professor, o que está em causa neste Acordo Ortográfico é "aproximar a grafia da articulação fonológica - aproximar, não identificar - ou, noutros termos, o modo como escrevemos do modo como falamos".

"Há alguma ofensa cultural, se passo a escrever 'elétrico' em vez de 'eléctrico'? Houve desrespeito pelo idioma de Alexandre Herculano, pelos legisladores do Liberalismo ou pelos cidadãos letrados seus contemporâneos, quando passámos a escrever 'fósforo' ou 'exausto', em vez 'phosphoro' ou 'exhausto'?", exemplificou.

E colocou, em seguida, algumas perguntas que caracterizou como "claramente retóricas", a primeira das quais foi: "Deve Portugal manter-se agarrado a uma concepção conservadora da ortografia, como se ela fosse o derradeiro baluarte da identidade portuguesa?".

"E podem alguns portugueses persistir em encarar o Brasil como um parceiro menor neste processo ou até como um inimigo?", lançou, acrescentando: "É curial ou inteligente ignorar o muito que o Brasil faz, por muitas vias, para a afirmação internacional da Língua Portuguesa?".

E - interrogou-se - "se no futuro, os países africanos de língua oficial portuguesa, incluindo o Brasil, se entenderem quanto à adopção de uma ortografia comum, em que posição fica Portugal?".

ANC.

Lusa/fim

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