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AR: PCP anuncia moção de censura ao Governo (COMPLETA)

AR: PCP anuncia moção de censura ao Governo (COMPLETA)

Lisboa, 30 Abr (Lusa) -- O PCP anunciou hoje uma moção de censura ao Governo para demonstrar "o descontentamento e o protesto" dos portugueses contra as políticas do PS, como a revisão do Código do Trabalho.

O anúncio foi feito pelo secretário-geral dos comunistas, Jerónimo de Sousa, na abertura do debate quinzenal com o primeiro-ministro, na Assembleia da República.

Jerónimo de Sousa afirmou que a revisão das leis laborais representam um retrocesso e significa "precarizar todos os trabalhadores" com a ameaça de desemprego e do despedimento por inadaptação.

Os fundamentos da moção de censura serão apresentados pela bancada comunista no final do debate quinzenal.

Esta é a segunda moção de censura que o primeiro-ministro, José Sócrates, enfrenta desde que está no Governo, há três anos.

Em 16 de Janeiro, o Bloco de Esquerda (BE) apresentou uma moção de censura acusando o Governo de não cumprir a promessa de realização de um referendo do tratado europeu, mas o PS, com a sua maioria absoluta de deputados, chumbou-a.

A moção da bancada comunista, cuja data de debate ainda não está definida, terá o mesmo destino.

Na abertura do debate, Jerónimo de Sousa havia desafiado, como anunciara na segunda-feira, José Sócrates a "descer à terra" para "corrigir erros" nas suas políticas.

"A economia portuguesa está a passar de cavalo para burro", acusou.

Depois de fazer um duro ataque às políticas do PS, aos "pesados sacrifícios impostos aos trabalhadores, pensionistas e pequenos e médios empresários", e ao "golpe contra os direitos dos trabalhadores" com a revisão do Código, Jerónimo anunciou então "solenemente" a apresentação de uma moção de censura.

O curto debate, de pouco mais de 15 minutos, teve momentos de alguma rudeza, com o líder comunista a acusar Sócrates de "não ter um neurónio de esquerda".

A revisão em baixa do crescimento da economia portuguesa em 2008 e 2009, das previsões da Comissão Europeia, anunciada esta semana, levou o líder comunista a dizer que os comunistas tinham "razão" e que a economia estava pior -- "a passar de cavalo para burro".

José Sócrates respondeu que o Governo resolveu, em três anos, a crise do défice, que o crescimento é hoje maior do que em 2005.

"Onde é que a nossa economia estava a cavalo?", questionou.

O chefe do Governo explicou a revisão do Código do Trabalho, anunciado na semana passada, como a penalização das empresas, afirmando ser "o maior combate de sempre à precariedade".

E acusou o PCP de, neste debate sobre o Código, "não defender os trabalhadores", mas sim "atacar melhor o Governo do PS", afirmando Sócrates que os comunistas seguem uma velha máxima: "O Governo é do PS, nós estamos contra".

Na resposta, Jerónimo de Sousa atacou Sócrates de, na revisão das leis laborais, "estar do lado de lá", do "lado dos poderosos, do patronato e contra os trabalhadores".

"Não lhe resta um neurónio social-democrata porque, se não, no mínimo, repudiava essas ideias", afirmou o líder comunista.

NS.

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