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Expo-98/Dez anos: Eusébio e Amália mais velhotes ainda animam Oceanário - mais visitas que todos museus portugueses (c/Fotos)

Expo-98/Dez anos: Eusébio e Amália mais velhotes ainda animam Oceanário - mais visitas que todos museus portugueses (c/Fotos)

** Sandra Moutinho (texto) e Mário Cruz (fotos), agência Lusa **

Lisboa, 08 Mai (Lusa) - Os pêlos amarelos que cobrem as cabeças das lontras Eusébio e Amália são sinais da passagem do tempo no Oceanário que comemora uma década e é um aquário de sucesso com mais visitantes que todos os museus públicos portugueses juntos.

Durante a Expo-98, estas lontras foram uma das principais atracções do Oceanário, o melhor aquário da Europa e um dos melhores do mundo. Os tubarões e as garoupas gigantes são igualmente cartões de visita deste espaço.

Hoje, e depois de serem pais de cinco crias, das quais duas morreram, Amália e Eusébio continuam a fazer as delícias dos visitantes do Oceanário, tratando cuidadosamente do seu pêlo, um trabalho árduo, uma vez que estes mamíferos têm mais pêlo por centímetro quadrado do que o ser humano em todo o corpo.

Os filhos estão em aquários em Roterdão e Vancouver João Falcato é o administrador-delegado do Oceanário e na altura da exposição internacional de Lisboa exercia funções de aquarista.

Em declarações à Lusa, este biólogo recordou que Maré, a primeira cria deste casal de lontras, era uma autêntica "terrorista".

Sobre o casal, João Falcato garante que "são amigos" e continuam a dar-se bem.

Passados dez anos, o Oceanário - Pavilhão dos Oceanos durante a Expo-98 - continua a trazer novidades do meio marinho, condição "fundamental" para seduzir os visitantes.

É disso exemplo a manta que chegou em 2002 e que foi devolvida ao mar com três metros e meio. Hoje, existe uma outra, de uma espécie mais pequena, mas que já conta com dois metros e meia.

O peixe-lua é uma das principais atracções do tanque central, onde os tubarões continuam a dominar as atenções, partilhando o estrelato com duas garoupas gigantes. Uma delas, Susana de seu nome, surpreendeu o Príncipe Carlos, quando este visitou a Expo-98 no dia dedicado ao Reino Unido.

João Falcato não tem dúvidas de que o Oceanário é hoje um caso de sucesso e que garante o bem-estar das espécies que ali vivem. E são muitos: 8.000 animais e plantas de 500 espécies diferentes.

Um dos sinais desse bem-estar é, segundo o biólogo, o nível de reprodução. Como o caso dos pinguins, que já tiveram mais de 20 crias. Mas também os tubarões, as raias, os cavalos marinhos e os chocos têm contribuído para a taxa de natalidade no Oceanário. Pelo contrário, a predação é residual, apesar de existir.

Ao longo destes dez anos de vida, os animais aprenderam a ganhar o seu território. Por essa razão, é fácil para João Falcato identificar os sítios de peixes como as garoupas gigantes ou o simpático peixe-lua.

O tanque central reúne cinco milhões de litros de água, dos sete milhões que existem em todo o aquário. Não admira, por isso, que seja elevada a factura da água do Oceanário: 54 mil euros em 2007.

Ainda mais elevada é a factura da energia: 445 mil euros de energia eléctrica e 316 mil euros em energia térmica.

Mais barata sai a alimentação de todos estes animais, apesar das suas preferências por marisco, como sapateiras e camarões. Lulas, polvo, corvina e pargo também constam do menu. Delícias que custam 100 mil euros por ano e que têm a qualidade do consumo humano, garante o administrador-delegado do Oceanário.

Para tratar de toda esta comunidade trabalham no Oceanário 130 pessoas, das quais 47 são funcionários da empresa.

O trabalho de limpeza, alimentação e manutenção começa cedo e inclui mergulhos. Uma tarefa "fisicamente árdua", mas que deixa saudades a João Falcato, que desde 2006 é administrador-delegado e, por isso, teve de deixar o fato de mergulho.

Um dos segredos dos tratadores é não fomentar laços de afecto com os animais, o que pode ser difícil, mas é "fundamental", pois este trabalho implica decisões que não devem partir do lado emocional, mas sim do racional.

Por isso os animais já não têm nome, ao contrário do que aconteceu durante a Expo-98, quando o "baptismo" da primeira cria de Amália e Eusébio andava na imaginação de milhões de visitantes.

As diferenças do Oceanário em relação ao tempo da exposição mundial de Lisboa não se ficam por aqui.

Hoje em dia, todo o percurso é acompanhado de esclarecimentos escritos e de exposições que explicam a vida nos oceanos e a própria vida do Oceanário. Durante a Expo-98, essa complementaridade não existiu para evitar que os visitantes parassem no percurso e, assim, engrossassem ainda mais as filas de espera.

Disso mesmo foram testemunhas 3.176.985 pessoas, as quais visitaram o Oceanário durante os mais de quatro meses da Expo-98. Alguns desses visitantes "massacraram" os animais com flashes fotográficos, um incómodo que ainda existe, apesar dos avisos que proíbem o uso deste tipo de iluminação.

O comportamento dos visitantes do Oceanário merece a nota máxima de João Falcato. "São fantásticos", principalmente os portugueses.

Disso é prova a higiene das instalações, a quase ausência de material destruído e, principalmente, de maus tratos ou negligência dos animais que estão expostos sem redes nem vidros.

"O nosso público é fantástico", afirma orgulhoso João Falcato, recordando que em muitos outros países existe um grau de destruição significativo.

Um facto importante para gerir os cada vez mais visitantes do Oceanário que já foi visitado por mais de 12 milhões de pessoas.

Destes, a maioria é portuguesa (55 por cento), depois de um período em que eram mais os estrangeiros. A língua inglesa, seguida da espanhola, é a mais falada. Mas também os brasileiros, franceses e alemães dão um ar de sua graça a este aquário que custou 70 milhões de euros aposta agora em novos programas educacionais e de conservação da natureza.

Para isso, o Oceanário conta com o Vasco, a mascote que representa um mergulhador protector dos Oceanos e que dá as boas vindas aos mais pequenos. E é raro o que não quer uma fotografia ao seu lado. Como nos tempos da Expo-98, quando a estrela se chamava Gil.

SMM.

Lusa/Fim

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