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Geocaching: De bicicleta e GPS à procura dos "tesouros" escondidos

Geocaching: De bicicleta e GPS à procura dos "tesouros" escondidos

Lisboa, 15 Mar (Lusa) - Há 2.565 "tesouros" escondidos em Portugal. Para encontrá-los basta descarregar as coordenadas na Internet, pegar num GPS e lançar-se à descoberta do Geocaching, uma actividade ao ar livre, que combina o desporto com a aventura.

Manuel Antunes e Cláudio Cortez vestem-se a rigor. À primeira vista confundem-se com os muitos praticantes de BTT que se concentram no local, mas o GPS preso no volante da bicicleta marca os "tesouros" que têm para procurar hoje.

"Descobri o Geocaching em 2002 num pequeno artigo numa revista de informática e resolvi experimentar", disse Manuel Antunes, um informático de 47 anos. Em seis anos descobriu cerca de 350 caches, das 535.267 que existem espalhadas por todo o mundo.

Os "tesouros" que procuram, vulgarmente conhecidos por caches, são tupperwares transparentes que contêm no interior um logbook, para deixarem mensagens para os outros visitantes, algumas lembranças para troca, como moedas fora de circulação ou calendários, e um texto explicativo do jogo para o caso de alguém encontrar por acaso o recipiente.

Quando chegam a casa, após as caçadas, registam as suas descobertas no site internacional www.geocaching.com, que contém as coordenadas das caches do mundo inteiro, e onde é possível deixar comentários às descobertas feitas.

Cláudio fez Geocaching pela primeira vez em Maio de 2003, juntamente com um colega de trabalho que lhe falou da actividade. "Não sabíamos o que íamos encontrar, por isso pegámos nas cartas militares, nos mapas, no GPS e na máquina fotográfica e fomos à descoberta". Desde então já encontrou 330 caches, algumas em Espanha, França e República Dominicana.

"Quando vamos viajar levamos sempre o GPS na mochila e descarregamos um ou dois pontos para o caso de termos tempo para os fazer", diz Manuel, que numa viagem a Munique descobriu uma cache que lhe ficou na memória, não só porque o "obrigou" a sair da cidade para ir conhecer a Floresta Negra, mas também por evocar um episódio da 2ª Guerra Mundial. "Tinha uma história e isso torna tudo mais interessante", explica.

As caches podem ser temáticas ou simples. Feitas a pé ou de bicicleta. Podem ser grandes, pequenas, ou micros - caixas de rolos fotográficos escondidas geralmente em zonas urbanas. Têm graus de dificuldade diferentes. Podem obrigar o geocacher a percorrer diferentes etapas - multi-caches- ou ser apenas duas folhas de papel unidas por um íman e escondidas num objecto metálico num sítio qualquer. Tudo depende da criatividade de quem as pensa e de quem as esconde.

"Não se imagina o tempo que pode levar a conceber uma cache", explica Cláudio, pensando no grupo de "tesouros" que, juntamente com outros geocachers, espalhou pelas Linhas de Torres. "Procurámos no terreno, pesquisámos e depois pusémos "caches" em determinados pontos para fazer a cobertura das linhas que 'travaram' as invasões napoleónicas", explica. E quem as quer fazer "recebe a cronologia" das incursões francesas em Portugal.

Esta actividade ao ar livre surgiu nos Estados Unidos, quando em Maio de 2000 Dave Ulmer escondeu a primeira cache e anunciou a sua localização num site na Internet. Três dias depois já tinha sido encontrada duas vezes e registada uma. Passados oito anos, o geocaching tem 47.246 contas registadas no site, apesar de cada conta poder corresponder a mais do que um participante, como no caso das famílias ou das equipas.

Associados a esta actividade estão geralmente pessoas que gostam de desportos de aventura e de tecnologia, na faixa etária entre os 20 e 30 anos. As famílias também parecem gostar e muitas delas trocaram os centros comerciais pelos passeios na natureza. "As crianças adoram porque têm a sensação de que estão a descobrir um tesouro", explica Manuel.

Mas se uns encaram o Geocaching apenas como um hobbie, há outros que formaram verdadeiras equipas de "caça ao tesouro": dão nomes às equipas, têm carimbos próprios para registar os logbooks, e aproveitam todo o tempo livre para subir no ranking de mais descobertas por dia, por mês ou por país.

Apesar de haver muitas caches na cidade - em Lisboa há-as na Gulbenkian, na Sé ou até no Fernando Pessoa que descansa na Brasileira - a maioria está escondida fora das zonas urbanas e próxima da natureza.

Independentemente do terreno, limpar o espaço ou "deixá-lo melhor do que estava é uma filosofia do geocaching", que os "desportistas" chamam "cache in trash out", explica Manuel.

Existe um respeito pelo espaço, como o que os geocachers esperam que as pessoas tenham pela sua actividade. "Têm existido casos de pessoas que encontram "caches", como uns GNR que ao descobrirem uma deixaram uma mensagem no logbook a incentivar a continuação do jogo", conta Manuel.

Por isso, já sabe: se encontrar um destes tesouros, aproveite para dar um segundo passo e torne-se um geocacher.

TZM/MZM.

Lusa/Fim

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