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PR/Moçambique: Dhlakama queixou-se a Cavaco da "mistura da FRELIMO com o Estado"

PR/Moçambique: Dhlakama queixou-se a Cavaco da "mistura da FRELIMO com o Estado"

** Luís Andrade de Sá, enviado Agência Lusa**

Maputo, 25 Mar (Lusa) - O líder da oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama, queixou-se hoje em Maputo ao Presidente português, Cavaco Silva, da "mistura entre partido FRELIMO, governo e instituições" e apelou a que Portugal "comece a falar em Democracia".

"Disse ao Presidente (Cavaco Silva) que o apoio a Moçambique não é o apoio ao partido FRELIMO mas ao povo de Moçambique", disse o líder da RENAMO, no final de uma reunião de cerca de 40 minutos com o chefe de Estado português.

Dhlakama acrescentou ter dado exemplos de casos de "mistura entre FRELIMO e Estado moçambicano", nomeadamente "professores, enfermeiros e funcionários públicos que até hoje são obrigados a pertencerem ao partido" no poder desde a independência, em 1975.

"Ele (Cavaco Silva) até me disse que eu estava a exagerar mas eu respondi: 'não, o Presidente tem liberdade, fale com as pessoas em privado'" para confirmar a acusação.

"Penso que (Cavaco Silva) entendeu a minha posição", acrescentou.

A queixas de Dhlakama, líder da rebelião da RENAMO contra o governo da FRELIMO durante a maior parte dos 16 anos (1976-92) da guerra civil, surgiram horas após Cavaco Silva ter declarado no parlamento moçambicano que a democracia estava consolidada na antiga colónia portuguesa.

No entanto, uma referência no discurso do chefe de Estado português à "democracia tão duramente conquistada" agradou a Dhlakama, que a considerou como uma menção ao seu movimento.

O líder da RENAMO disse ter levado ao encontro com o Presidente português as acusações de fraude eleitoral que o seu partido faz sobre as eleições de 1994, 1999 e 2004 e a necessidade das próximas eleições "serem transparentes".

E acrescentou que a sua posição de se manter na legalidade democrática, apesar de classificar todas as anteriores eleições como fraudulentas, foi elogiada por Cavaco Silva.

"Os outros líderes africanos quando sentem que são roubados (em eleições) voltam para o mato", recordou Afonso Dhlakama.

O presidente da RENAMO disse ainda ter deixado um apelo a Portugal para dar uma nova dinâmica às relações bilaterais.

"Pedi que Portugal, sobretudo para o caso de Moçambique, não se limite a falar de cooperação mas que era tempo de se começar a falar de democracia", disse.

Uma visão diferente do país foi levada, depois, a Cavaco Silva por Filipe Paúnde, secretário-geral da FRELIMO, que disse ter informado o Presidente português "das realizações do partido, do povo moçambicano e do governo de Moçambique, que resultaram num crescimento económico de 7%" ao ano.

Paúnde acrescentou que o chefe de Estado português "vai continuar a apoiar o povo de Moçambique".

Lusa/Fim

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