lusa

Teatro: Primeira biografia de Beatriz Costa, "mulher sem idade"

Teatro: Primeira biografia de Beatriz Costa, "mulher sem idade"

Lisboa, 29 Mar (Lusa) - A primeira biografia de Beatriz Costa, "mulher sem idade", como a ela se referiu Vinicius de Moraes, é editada esta semana.

"Esta é de facto a primeira biografia da artista, que fiz no âmbito das biografias de nomes importantes das artes de palco que a editora Sete Caminhos está a levar a cabo", disse à Lusa o seu autor, o estudioso Luciano Reis.

Reis é autor, entre outras, de uma biografia de Laura Alves, e da "História do Parque Mayer" em parceria com Jorge Trigo.

Beatriz Costa, que se iniciou como corista até se tornar vedeta, "beneficiou do facto de ser uma curiosa e ávida de conhecimento", tendo sido "a única mulher com assento na tertúlia da Brasileira do Chiado que juntava Fernando Pessoa, Almada Negreiros, José Gomes Ferreira, Almada Negreiros, Abel Manta, Diogo de Macedo, Stuart de Carvalhais, Ramada Curto, Ferreira de Castro, Augusto Pina, entre outros, e foi amiga de Agostinho da Silva", realçou Luciano Reis.

"Ela cultivava, aliás, amizade com intelectuais e escritores. Foi amiga desde sempre do escritor Jorge Amado e da sua mulher Zélia Gattai, podendo-se ainda referir Vinicius de Moraes, que lhe dedicou um poema", acrescentou.

A criadora de êxitos como "Cá vai Lisboa", "Arre burro" ou "Cochicho" gostava de visitar museus "e ia com frequências aos mais importantes festivais de teatro no mundo, era insaciável em querer conhecer e saber mais".

Para a elaboração do livro, o autor consultou material diverso, nomeadamente da imprensa, tendo como "principais fundos documentais o arquivo do Teatro, o da Sociedade Portuguesa de Autores", além do seu próprio.

"Desde a minha entrada no Conservatório, em 1977, tenho procurado coligir material relativo aos artistas portugueses, constituindo assim um acervo documental próprio com algumas raridades", assinalou.

O livro, de 134 páginas, traça o percurso de Beatriz Costa, filha de um moleiro do Vale de S. Gião, desde que se estreou como corista em 1931, na revista "Mexilhão", até à sua consagração e à escrita das suas memórias, já na década de 1970.

Em termos de popularidade, Luciano Reis atesta que, "tal como afirmou Pavão dos Santos, de facto ninguém foi mais alto do que ela".

O livro reúne um conjunto fotografias, algumas das quais inéditas, aforismos da actriz e uma cronologia detalhada da sua carreira artística.

Em algumas fotografias Beatriz Costa surge com outros penteados além do de franjinha à Louise Brooks que a popularizou.

Além da cronologia dos palcos portugueses, até 1960, quando a artista integrou o elenco da revista "Está bonita a brincadeira", o livro refere também as suas estadas no Brasil, "onde foi absolutamente triunfal e queridíssima do público".

A par dos palcos, Beatriz Costa teve uma carreira de sucesso no cinema, desde o tempo do mudo em "Lisboa, crónica anedótica" a "Aldeia da roupa branca" ou "O Pátio das cantigas".

Beatriz Costa morreu aos 88 anos, no Hotel Tivoli, em Lisboa, onde vivia desde a década de 1960.

NL.

Lusa/Fim