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Tibete: Organizações criticam passividade do Conselho dos Direitos Humanos da ONU face crise tibetana

Tibete: Organizações criticam passividade do Conselho dos Direitos Humanos da ONU face crise tibetana

Genebra, 25 Mar (Lusa) - Cerca de 60 organizações não governamentais (ONG) denunciaram hoje a passividade do Conselho dos Direitos Humanos da ONU perante os actos de violência no Tibete, exigindo a realização de uma reunião extraordinária do organismo para analisar a situação.

Sessenta e cinco organizações do continente asiático escreveram uma carta ao presidente do Conselho, Doru Romulus Costea, para requerer a realização de uma sessão extraordinária dedicada à crise no Tibete e pedir o envio de uma missão de inquérito do organismo à região autónoma chinesa, o que já aconteceu em outras zonas de conflito como foi o caso da Birmânia, Sudão ou dos territórios palestinianos ocupados.

Mas este não foi, nos últimos dias, o único acto de denúncia sobre a passividade do Conselho.

Cerca de 400 manifestantes pró-tibetanos exprimiram a sua indignação em frente ao edifício das Nações Unidas e a Amnistia Internacional exortou as autoridades chinesas a "libertarem todos os detidos que protestaram pacificamente" e a "evitar o uso desnecessário e excessivo da força para restaurar a ordem".

Os Repórteres Sem Fronteiras foi outra organização não governamental (ONG) a manifestar publicamente o seu desagrado perante a crise no Tibete.

Apesar das fortes medidas de segurança, um activista da associação conseguiu interromper, na segunda-feira, o discurso do responsável chinês dos Jogos Olímpicos de Pequim, que irão decorrer este Verão, na cerimónia da chama olímpica na Grécia.

A actual crise no Tibete teve início a 10 de Março, quando centenas de monges budistas se manifestaram pacificamente nas ruas da capital, Lassa, para assinalar o 49º aniversário da rebelião popular fracassada contra a China, que se saldou em 10.000 mortes e no exílio do líder espiritual e de 100.000 seguidores.

Os protestos pacíficos foram reprimidos pelas autoridades, desencadeando, a partir de 14 de Março, uma vaga de violência que se alargou a outras províncias chinesas.

Em declarações hoje em Dharamsala, no norte da Índia, o primeiro-ministro do governo tibetano no exílio, Samdhong Rinpoche, afirmou que cerca de 140 pessoas foram mortas durante a repressão pela China das manifestações no Tibete.

Do lado de Pequim, o último balanço oficial dos confrontos aponta para 19 mortos, entre os quais 18 civis "inocentes" e um polícia.

SCA.

Lusa/Fim

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