lusa

Turquia: Procurador pede ilegalização do partido no poder por violar o laicismo

Turquia: Procurador pede ilegalização do partido no poder por violar o laicismo

Ancara, 14 Mar (Lusa) - O procurador-geral do Supremo Tribunal turco pediu hoje a ilegalização do Partido no poder e a incapacidade do presidente e do primeiro-ministro por violarem as leis que consagram o país como estado laico.

A Procuradoria tornou público o anúncio com o argumento de que o Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, islamista moderado) do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan "se converteu no centro das actividades contra o laicismo" ainda que sem adiantar mais pormenores.

Os media locais ligaram esta actuação com a autorização do Governo para que as mulheres possam entrar com véu nas universidades públicas.

O porta-voz do AKP, Dengir Mir Mehmet Firat, contestou esta acusação numa conferência de imprensa depois de uma reunião de emergência do Comité Central Executivo do partido e disse que se trata do "maior ataque contra as conquistas democráticas" da Turquia.

Além da ilegalização do partido governante, o procurador-geral do Supremo, Abdurrahman Yalcinkaya, pediu ao Tribunal Constitucional a incapacidade política do presidente da República Abdullah Gul, do primeiro-ministro e de outros 69 políticos do AKP.

Este partido foi fundado em 2001, depois de desaparecer o seu antecessor, o Partido da Virtude, proibido pelas suas actividades anti-laicas. A nova formação adoptou uma linha muito mais moderada em relação a outros partidos islamistas.

Nas últimas eleições gerais de Julho de 2007 obteve 46,7 por cento dos votos, que lhe deram una ampla maioria parlamentar.

Firat qualificou a denúncia do procurador-geral de "grande vergonha" e afirmou que desta forma sairão prejudicadas as aspirações turcas de aderir à União Europeia.

Por seu lado, o presidente Gul pediu calma aos cidadãos convidando-os a pensar se o país "ganharia algo" caso fosse levada a cabo a ilegalização do partido.

O procurador-geral tinha comentado anteriormente que o levantamento da proibição do véu para as mulheres estudantes nas universidades turcas tornaria estes centros de ensino em lugares propícios para os grupos fundamentalistas.

TM.

Lusa/Fim

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG