Cinema

 Bong Joon-ho: "A nova  geração vive no medo"

 Bong Joon-ho: "A nova  geração vive no medo"

"Parasitas", vencedor da Palma de Ouro em Cannes, aborda o fosso entre ricos e pobres

Raras vezes um filme despertou tantas paixões e gerou tanta unanimidade num dos grandes festivais de cinema do Mundo como "Parasitas", o novo filme de Bong Joon-ho, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e que chega hoje às salas nacionais.

"Parasitas" dá uma volta tremenda à eterna questão da luta de classes, numa história onde não há bons e maus e em que todos têm alguma coisa a esconder. Quando começa, somos confrontados com uma família pobre a viver numa cave e à base de todo o tipo de expedientes. Mas a possibilidade de se imiscuir numa família da alta burguesia vai levá--los a idealizar toda uma outra estratégia.

Em Cannes, o JN falou com Bong Joon-ho, que explicou quem são afinal os parasitas do filme. "A família pobre infiltra-se na casa da família rica. Não sei se lhe podemos chamar parasitas", diz-nos. "É a família rica que os vai chamando para sua casa, porque não são capazes de efetuar as tarefas mais simples, como lavar a loiça ou conduzir um carro. Por isso, em termos de força de trabalho, são eles os parasitas".

As diferenças entre os ricos e os pobres continuam a existir, mesmo na desenvolvida Coreia do Sul, país onde nasceu o realizador, que tenta, com dificuldade, evitar ser pessimista. "Não penso que seja pessimista em relação a todas as questões. Mas tenho de ser honesto, face à realidade", admite. "A Humanidade alcançou um enorme desenvolvimento, mas o fosso entre as classes diminuiu? Não. Fizemos um cálculo e iria demorar mais de 500 anos à família pobre até ter dinheiro para comprar a casa da família rica! Eu tenho um filho, que não sabe o que vai ser o seu futuro. A nova geração vive no medo".

O realizador sul-coreano é hoje um dos mestres do cinema de género, trabalhando entre o horror, a ficção científica e o thriller psicológico. Mas a dimensão política está também muito presente. "Os meus filmes podem ser considerados políticos. Mas não quis que a mensagem política dominasse o filme. O meu desejo é que se possa quase cheirar cada uma das personagens".