Património

Extensão do Romantismo abre salas e caminhos em 2022

Extensão do Romantismo abre salas e caminhos em 2022

Estação 4 do Museu Cidade do Porto, a Extensão do Romantismo celebra o centenário da morte de Aurélia de Sousa e reativa Caminhos do Romântico em 2022.

A Extensão do Romantismo do Museu da Cidade do Porto enceta o ano de 2022 com uma programação focada em celebrações, na reabertura dos caminhos do romântico e num projeto audiovisual que mostra o núcleo documental do museu, na Quinta da Macieirinha, onde faleceu o exilado Rei Carlos Alberto da Sardenha, a 28 de julho de 1849.

Quando, em agosto, o antigo Museu do Romântico, agora Extensão do Romantismo, pertencente ao Museu Cidade do Porto, abriu portas para mostrar a sua mais recente intervenção, foi recebido com duras críticas. O descontentamento deu origem a uma petição, que já soma mais de quatro mil assinaturas, a pedir a reposição da decoração oitocentista. Agora, a Extensão do Romantismo recupera peças e reabre novas salas.

Em destaque está a celebração do centenário da morte da pintora luso-chilena Aurélia de Sousa (1866-1922). "É uma artista muito importante e querida na cidade. A comemoração passará por um trabalho performativo da sua pintura, feito a partir do autorretrato da obra "Santo António" (1902), que nos vai permitir trabalhar questões ligadas ao corpo e de género de representação", explica, ao JN, Nuno Faria, diretor artístico do Museu da Cidade.

A nova montagem da Extensão do Romantismo será apresentada no dia 22 de abril, foi intitulada "Metamorfoses: imaginário vegetal, animal e mineral no espaço doméstico romântico". "Esta montagem vai congregar um conjunto de questões. Será um ponto de partida e um ponto de chegada. Vai convocar um conjunto de peças numa nova museologia."

Depois da polémica sobre o desaparecimento das peças até há pouco expostas no museu, o espólio volta, em parte, a ressurgir: mobiliário, cerâmicas, fotografias, têxteis e pinturas, algumas inéditas, e outras que já não eram expostas há muito tempo.

"Contaminação, transformação, integração"

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""Metamorfoses" tem a ver com o processo de contaminação, de transformação, de integração destes imaginários: o imaginário vegetal (elementos decorativos, elementos construtivos) e o imaginário animal e mineral próprios da confluência destas coleções, destes objetos, que eram próprios do espaço romântico do século XIX. É neste pretexto que vamos mostrar um conjunto de peças inéditas ou não vistas há muito tempo."

Outra novidade é a reativação dos Caminhos do Romântico, com a criação de novos percursos. "Haverá um conjunto de novas rotas, nomeadamente um percurso dedicado ao Rei Carlos Alberto, que parte da praça Carlos Alberto e chega à Quinta da Macieirinha, onde morreu." Este percurso intitula-se "Personalidades", e dele farão parte, também, outras personalisdades.

Os novos Caminhos do Romântico compreendem também o "Percurso Industrial", cadenciado pelo bulício da indústria e dos armazéns oitocentistas, o "Percurso Natureza" e o "Percurso Líquido".

O atelier do pintor António Carneiro (1872-1930) também está a ser remodelado para que seja reposto o traço original do edifício. Algumas peças do artista de Amarante também vão figurar na nova montagem da Extensão do Romantismo. O oratório do Rei Carlos Alberto também será reaberto.

Nuno Faria destaca ainda o Núcleo Documental Audiovisual Histórico, que vai ajudar os visitantes a conhecerem em pormenor a longa existência do museu.

Programação até final deste ano

Até ao final deste ano continua o programa musical "Música e Romantismo", desenvolvido pela pianista e investigadora Sofia Lourenço e pelo organista Pedro Monteiro. Acontece na última quinta-feira de cada mês, às 19 horas.

A 11 de dezembro, o ciclo "Criação e Revolução", desenvolvido em parceria com o
Curso de Música Silva Monteiro, vai evocar as obras do Cancioneiro de Música Popular Portuguesa de 1893, com interpretação de Márcio da Rosa (tenor), que estará acompanhado por Isabel Calado (piano).

No dia 15 de dezembro, na Biblioteca Almeida Garrett, vai ser lançado um amplo conjunto de fascículos da Coleção Raiz Fasciculada do Museu da Cidade, com uma
sessão performativa e uma exposição em torno dessas práticas fasciculares, com
vários autores convocados.

A exposição "Herbário de Emoções", centrada no Herbário de Júlio Dinis, autor
homenageado da Feira do Livro de 2021, poderá ser visitada até 22 de fevereiro
de 2022.

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