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Um Moby Dick para principiantes segundo Joël Dicker

Um Moby Dick para principiantes segundo Joël Dicker

Escrito quando Joël Dicker tinha apenas 19 anos, "O tigre" é uma novela breve em que o autor suíço revela um talento precoce que seria posteriormente confirmado em romances aclamados por milhões de leitores.

Muitos anos antes de converter-se numa máquina de escrever best-sellers, como "A verdade sobre o caso Harry Quebert" ou "O enigma do quarto 622", Joël Dicker escreveu "O tigre". Tinha apenas 19 anos na altura e, como todos os jovens aspirantes a escritores, vivia dividido entre a a reverência aos mestres literários e a vontade de transformação.

O breve conto agora publicado pela Alfagurara reflete essa divisão, tantas vezes intransponível, entre a tendência para o mimetismo e a ambição desmedida, mas exibe sobretudo uma já apreciável fluidez e cadência narrativas do então autor adolescente.

Sem a natural densidade psicológica do clássico absoluto de Herman Melville, "O tigre" não deixa, ainda assim, de aparentar-se com "Moby Dick", pelo menos no modo como a eterna relação dual entre o caçador e a presa é apresentada.

A gigantesca baleia branca do monumental romance melvilliano assume nesta narrativa a forma de um tigre feroz que dizima povoações inteiras à sua passagem.

O rasto de sangue e de medo qe provoca, acaba por levar o czar da época - início do século XX - a oferecer uma gorda recompensa pela captura do animal: nada menos do que o equivalente em ouro ao seu peso.

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Em busca dessa quimera, precipitam-se para a gélida Sibéria caçadores de todas as idades e estratos sociais, ávidos de glória e fortuna.

Desse séquito de aventureiros fazia parte Ivan Levovitch, um jovem de 20 anos que compensava a falta de traquejo nas lides da caça com um argumento decisivo: o desespero. Falho de posses, sabia que a única forma de escapar à miséria asfixiante era a morte do tigre às suas mãos. Parte, então, no seu encalço, enfrentando os rigores invernais com uma firmeza não menos admirável.

Quando se encontrava prestes a desistir da caçada e enfrentar um destino de provação, o acaso coloca-lhe ao alcance, de forma repentina, a possibilidade de vencer a contenda. Só que, para matar o animal e aceder ao seu quinhão de felicidade, Ivan terá que abrir mão da reserva moral e dos escrúpulos, sacrificando uma família inocente. É na descrição certeira desses instantes decisivos que o leitor se apercebe de que o futuro especialista nos "thrillers" e mistérios já se prenunciava no então adolescente Dicker.

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