Celebração

35 anos dos GNR em concerto épico

35 anos dos GNR em concerto épico

Rui Reininho e Isabel Silvestre levantaram Multiusos de Guimarães com "Pronúncia do Norte" no concerto do 35º aniversário dos GNR.

Há poucas composições capazes de apelar ao orgulho de uma região, mas se há sítio e intérpretes aptos para o feito é em Guimarães, orgulhosamente o berço do Norte e do país, com Rui Reininho e Isabel Silvestre a harmonizados em "Pronúncia do Norte". Aconteceu este sábado, no Multiusos vimaranense, com a celebração dos 35 anos do Grupo Novo Rock, repleto de convidados que fazem parte da carreira do trio composto por Rui Reininho, Toli César Machado e Jorge Romão.

À vigésima de 28 músicas do concerto, Rui e Isabel abraçam-se, o palco fica azul celeste, ergue-se uma aura que cala um pavilhão inteiro para depois o levantar. Há sempre os telemóveis, esses seres que não iam a concertos quando, em 1992, "Pronúncia do Norte" foi editada no álbum "Rock in Rio Douro". Mas à parte disso, todos calam e ouvem a harmonia entre os graves roucos de Reininho e os agudos hipnotizantes da cantora de São Pedro do Sul.

Não foi a primeira vez que o duo esteve junto em palco. Aliás, estiveram várias vezes nos últimos anos. Mas desta vez "vergaram a mola", como se diz no Norte, com uma vontade de fazerem ouvir esta Ode regional de Bragança a Caminha, e de transmitirem em palavras as idiossincrasias de toda a região. Olham para o céu enquanto cantam, Reininho fecha os olhos e sente a música até "mar", a última palavra da letra.

Antes, dois momentos igualmente épicos. O primeiro foi com Rita Redshoes que gravou com GNR "Dançar Sós" no ano passado. O tema do álbum "Caixa Negra", cantado ao vivo, transparece a notória química daquele dueto. Erguem-se isqueiros no público e os cantores sorriem enquanto dão um abraço cúmplice no fim da música. "É um prazer imenso estar a celebrar os 35 anos destes senhores. Eu tenho 35 anos e nunca imaginei estar aqui quando comecei a ouvir GNR na garagem lá de casa", disse Rita Redshoes.

Seguiu-se uma reedição do mítico concerto de Alvalade 92. Depois de 24 anos sem cantarem juntos, Reininho e Javier Andreu juntaram-se para entoar "Sangue Oculto" e pôr três mil pessoas aos saltos com guitarradas vibrantes e uma emoção capaz de fazer uma Península Ibérica inteira guardar o telemóvel no bolso ao mesmo tempo que desfruta do concerto sem a preocupação de o levar para casa para pôr no Youtube mais tarde.

Os que ali estavam sabiam que presenciavam um momento histórico. Aos saltos, todos os braços tinham pele de galinha e, as mentes, vontade de ouvir em loop infinito aquele refrão cantado em português e espanhol. Sem correr mas a saltar.

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Foi "Sangue Oculto" a música que fez sobressair o Rui Reininho roqueiro. O "frontman" dos aniversariantes merece, aliás, todos os parabéns que lhe são dirigidos. É capaz de passar mais de duas horas de concerto a deambular entre a versão "gajo catita" e "gentleman". Sabe respeitar (com Isabel Loureiro), ser frágil (com Rita Redshoes) e é ao mesmo tempo um rebelde (com Javier Andreu).

Destaque, ainda para a produção cénica com imagens dos inícios da banda, recortes de jornais e videoclips antigos que nos habituamos a ver nos canais de música vezes sem fim. Após dois encores, o concerto acabou com o coro CoolBAND, convidados e os GNR a cantarem "Mais vale Nunca". O aniversário da banda segue agora para Lisboa, dia 12 no Campo Pequeno. Ambos os espetáculos são alvo de gravações para a edição de um CD/DVD ao vivo.

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