Fotografia

A dignidade nos "Despojos de Guerra"

A dignidade nos "Despojos de Guerra"

Leonel de Castro, fotojornalista do JN, apresentou trabalho no festival Exodus em Aveiro

Em "Despojos de Guerra", o trabalho que o fotojornalista Leonel de Castro apresentou, este sábado, no festival Exodus, em Aveiro, não falta dignidade. São corpos mutilados pela guerra colonial, de portugueses e africanos, que pretendem ajudar a "refletir sobre o papel do indivíduo e a condição do nosso planeta, levantando questões sociais e culturais".

Apesar das marcas nos corpos, "nos retratos somos atraídos imediatamente para os rostos e vemos dignidade", descreveu uma das muitas pessoas que encheram o grande auditório do Centro Cultural e de Congressos. Essa, revelou então Leonel, foi uma das suas grandes preocupações durante a captação das imagens: "dignificar as pessoas".

Leonel sabe-lhes os nomes, conhece-lhes as histórias e as feridas. "São boas pessoas, expostas numa situação terrível", descreveu.

É difícil, admitiu o fotojornalista, "não levar as feridas para casa". Sente que este trabalho que está a desenvolver já o levou, de certa forma, a entrar também "em combate" e é "perturbador" estar nos locais onde as pessoas que retrata ficaram mutiladas.

Após ver as imagens, no público elogiaram a forma como "envolveu as pessoas no processo". A familiar de um ex-combatente sublinhou a coragem de "ouvir as pessoas" que foram "obrigadas" a ir para a guerra e "contar as histórias", algo que poucos têm feito.

Os que retrata, explicou Leonel, "privilegiam a ressurreição", prestando menos atenção ao que "está para trás". Sentem que "nasceram duas vezes" e transmitem-lhe, por isso, "energia positiva".

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Leonel de Castro, fotojornalista premiado do JN, é um dos profissionais da fotografia e do vídeo que até amanhã, passam pelo Exodus, um festival que pretende, nas palavras de Bernardo Conde, mentor do projeto, "inspirar pessoas". Uma viagem ao "propósito da vida", que tem como fio condutor o "trabalho dos fotógrafos e videógrafos que andam pelo mundo todo, como esponjas, a absorver e registar experiências, e a partilhar esse conhecimento e inspiração com o público".

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