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Artes plásticas

A excelência da fotografia numa (quase) cave em Lisboa

A excelência da fotografia numa (quase) cave em Lisboa

Coleção do novo banco, anteriormente conhecida como Coleção BES art, tem cerca de 1000 obras de 300 artistas de diferentes gerações e tendências. Devia ser promovida a sua circulação por diferentes salas de exposições em Portugal e além-fronteiras.

No número 3 da Praça do Marquês de Pombal, em Lisboa, guarda-se um tesouro do colecionismo privado português: a Coleção de Fotografia do novo banco, anteriormente identificada como Coleção BES art. Em outros tempos, o edifício que agora se divide entre vários negócios, era uma porta aberta para ver o melhor da fotografia como tecnologia e meio da produção artística contemporânea.

Tudo começa em 2004 com a aquisição das primeiras obras e, em 10 anos, esta coleção torna-se membro do ICOM (Conselho Internacional dos Museus) e um dos fundadores da IACCCA (International Association of Corporate Collections of Contemporary Art). Lembrar-nos-emos muitos da grande exposição, em 2008, no Museu Coleção Berardo (Centro Cultural de Belém) e de outras iniciativas do banco privado, como eram o Prémio de Fotografia Novo Banco, destinado a consagrar artistas, e o prémio "Revelação" que também divulgou muitos jovens talentos. A constituição da coleção é, contudo, independente destes prémios, tendo mantido sempre um processo de curadoria autónomo.

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A coleção do famigerado banco, com cerca de 1000 obras, de 300 artistas de diferentes gerações e tendência, representantes de 38 nacionalidades, é uma oportunidade de vermos obras de artistas como Andreas Gursky, Andres Serrano, Barbara Kruger, Candida Höfer, Christian Boltanski, Cindy Sherman, Daniel Blaufuks, Douglas Gordon, Gilbert & George, Helena Almeida, Hiroshi Sugimoto, Irving Penn, Jane & Louise Wilson, Jeff Wall, Jenny Holzer, João Louro, João Penalva, João Tabarra, John Baldessari, Julião Sarmento, Lee Freelander, Marina Abramovic, Martin Parr, Nan Goldin, Orlan, Paulo Nozolino, Pedro Cabrita Reis, Richard Prince, Robert Frank, Rodrigo Amado, Thomas Demand, Thomas Ruff, Thomas Struth ou Wolfgang Tillmans, entre tantos outros.

A diversidade integra obras de alguns, senão mesmo de quase todos os grandes nomes da cena artística nacional e internacional que recorreram à fotografia para a construção das suas plasticidades, linguagens, obras, variando entre diferentes formas de apresentação que vão das tradicionais impressões, com ou sem moldura, passando pelas caixas de luz, instalações, com abordagens mais ou menos poéticas, mais ou menos filosóficas.

O conjunto de iniciativas levadas a cabo pelo banco privado, não obstante o seu complexo processo de reestruturação e as consequências do mesmo, justificam um olhar atento sobre este legado. Durante uma década, a construção desta coleção foi, também, uma oportunidade para muitos artistas, tendo uma dimensão de mecenato e de dinamização do mercado da arte, tão necessária num país em que o Estado não cobre todas as necessidades.

Numa (quase) cave em Lisboa, do dito número 3, a coleção está hoje preservada em espaço de reservas, pensado para o efeito, sendo visitável, mediante marcação. São, aliás, recorrentes as visitas de grupos de estudantes, como também as conversas com artistas representados que o banco promove com o objetivo de continuar o trabalho de divulgação da fotografia no contexto do que é hoje a multiplicidade da arte contemporânea.

Neste sentido, considerando a relevância e coerência desta coleção e o efeito de contágio das boas práticas, a coleção deve ter continuidade e deve o novobanco promover a sua circulação por diferentes salas de exposições em Portugal e além-fronteiras. Para que não se perca tudo e se guarde o que de bom também houve.

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