Exposição

A poesia de Kiarostami

Exposição e retrospetiva dos filmes do autor estará patente no Centro Pompidou em Paris até 26 de julho

Com a reabertura, em Paris, das salas de cinema, de espetáculos e dos museus, no passado dia 19 de maio, o Centro Pompidou deu início a uma retrospetiva integral da obra cinematográfica do cineasta e a uma exposição, intitulada "Onde está o amigo Kiarostami", referência a uma das obras mais emblemáticas do realizador iraniano, "Onde é a casa do meu amigo?".

Um dos autores mais importantes do cinema contemporâneo, Abbas Kiarostami (1940-2016) foi revelado no ocidente com obras-primas como "Através das Oliveiras", "Close-Up", "A Vida Continua", "O Vento Levar-nos-á" ou "O Sabor da Cereja", Palma de Ouro em Cannes.

Com problemas no seu país e uma enorme pressão internacional para filmar aqui e ali, Kiarostami dirigiria "Cópia Certificada" em Itália e "Um Alguém Apaixonado" no Japão, estando a trabalhar num projeto na China quando faleceu, em Paris, de complicações na sequência de uma intervenção cirúrgica realizada em Teerão.

Mas, mais do que os filmes, o que a exposição nos revela é o Kiarostami fotógrafo e poeta. Aliás, a sua obra cinematográfica está ela também marcada por essas outras formas de expressão utilizadas por Kiarostami.

No seu cinema, a simplicidade do gesto, o gosto pelo enquadramento, a paixão pela natureza e pelo rosto humano, derivam do seu trabalho de fotógrafo, que o acompanharia toda a vida.

Na milenar tradição persa, Kiarostami era também um poeta. E escrevia como fotografava e como filmava. Com a beleza das coisas simples, com a profundidade dos grandes filósofos. "Com o vento cheguei / No primeiro dia de verão / O vento levar-me-á / No último dia do outono", escreveu um dia.

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A exposição, a que não falta o veículo todo-o-terreno que se tornaria "personagem" de vários dos seus filmes, tem como comissária Massoumeh Lahidji, que acompanhou Kiarostami nos últimos anos de vida, nomeadamente na sua visita a Portugal. Iraniana instalada em Paris, conheceu Kiarostami em 2007, precisamente no Centro Pompidou. Para ela, esta exposição será o fim de um ciclo. Para os que a visitarem, até final de julho, será seguramente o despertar de novas paixões.

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