Arte do dia

A todo o vapor na máquina do tempo

A todo o vapor na máquina do tempo

Psicadelismo, obsessões, hobbies sobre rodas, o melhor ano da história da pop e uma canção que rima com esperança. Tudo para o último dia fora de casa. Uma espécie de arte da fuga.

A Arte deste dia, o último de pré-confinamento, cheira a papel de parede, a musgo, a nevoeiro e a fuligem. Cheira, portanto, a uma ideia de Reino Unido. Jane Weaver, cantora e compositora de Liverpool, percebe do assunto e revela-o na pop psicadélica de "Heartlow", single que anuncia um álbum, "Flock", a chega a 5 de março.

O Reino Unido também deu ao Mundo o "trainspotter". Isto é, o meticuloso entusiasta dos comboios que vive numa odisseia de catalogação. Com o tempo, o uso do termo expandiu-se para outros domínios, designando pessoas obcecadas por saber (e colecionar) tudo o que é concebível acerca de uma arte ou artesão, ofício ou indústria. Também deu origem, em 1996, a um filme que lida com fixações mais, digamos, existenciais:

Para levar a paixão "trainspotteriana" a um maravilhoso extremo, o YouTube permite assistir a objetos como este, sobre a história dos transportes públicos em Londres desde a década de 1930 até ao tempo da realização do documentário, uns anos 1980 de fita VHS com cores entretanto esbatidas. Tudo o que gostaríamos de saber, ou que não imaginaríamos que gostaríamos de saber, sobre linhas de metro, autocarros vermelhos de um ou dois pisos & etc., está aqui:

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Affair britânico encerrado, salte-se para outro continente e tempo. O autor americano Michaelangelo Matos já publicou um livro sobre um dos álbuns centrais da pop ("Sign o' the times" de Prince, para a coleção de bolso 33 1/3) e a história da chegada da cultura rave aos Estados Unidos ("The underground is massive"). Agora apresenta "Can't slow down: How 1984 became pop's blockbuster year", em que detalha, a nível microscópico (como um verdadeiro "trainspotter"'), a importância criativa, comercial e industrial daquele ano. De Prince a Madonna, do hip-hop ao indie rock, mais Tina Turner, Michael Jackson, Phil Collins, Wham!, Lionel Richie...

E para que tudo não seja glórias pretéritas e preocupações presentes, feche-se a Arte deste dia, a tal que é a última pré-confinamento, com uma canção de título esperançoso, "Good days", da muito virtuosa SZA. Agridoce, é certo, mas pronta a blindar o direito à felicidade futura.

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