Palco

A transformação de Saramago em dança

A transformação de Saramago em dança

Homenagem ao escritor acontece numa única data, esta sexta-feira 1 no Teatro Camões.

Em "Todos os nomes", livro de José Saramago editado em 1997, escreve-se sobre a vida e a morte. Sobre como os factos e números que nos acompanham pouco refletem das nossas vivências e percursos. Filipa de Castro e Carlos Pinillos pegaram neste tema para, fazendo um paralelismo com o seu próprio caminho, criar e encenar um espetáculo de dança único: "Nuestros nombres... para Saramago", que acontece esta sexta-feira 1 no Teatro Camões, Lisboa.

A ideia surgiu, explica Filipa de Castro ao JN, tendo presente a celebração do centenário do Nobel da literatura, mas não só. "A autoria é minha e do Carlos, que também é o meu parceiro na vida. E surgiu porque temos uma carreira já vasta e achámos que este era o momento de fazer uma peça sobre nós, a nossa história. Ao construirmos o espetáculo, surgiu-nos a ideia da obra de Saramago por um motivo: porque não nos fazia sentido falar de nós sem falar de todos nós." Para esta bailarina clássica, "Saramago fala de seres humanos, de vida, de situações caricatas e quotidianas, paixões e desamores".

PUB

Segundo Filipa, o escritor descreve como ninguém as pessoas, nos seus diversos modos, nas suas diferenças, "e todo esse imaginário criou a base". O projeto foi enquadrado pela Companhia Nacional de Bailado, que se envolveu como coprodutora, juntando-se depois a Fundação José Saramago, que enquadrou o espetáculo no programa do centenário. Neste mundo criado pelo casal, onde música e teatralidade se fundem como crónicas dançadas, surgiu um terceiro apoio, do bailarino e coreógrafo Cifrão. "Há muito tempo que nos conhecemos e respeitamos o apoio que ele dá à dança; e ele aceitou logo."

Em palco misturam-se as histórias de vida de Filipa e Carlos com a história do mundo e o imaginário de Saramago; e ainda questões de ética, dicotomias verdade/ mentira e vida/ morte, tudo em dança, com música de câmara ao vivo. "São 70 minutos connosco a dançar. É uma maratona, mas vale a pena e estamos contentes com o resultado. Vamos transmitir a mensagem que queremos, e que Saramago suporta também."


Todos os nomes
Teatro Camões (Lisboa)
Sexta-feira 1 às 20 horas

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG