Literatura

A vida dos soldados nas trincheiras da Grande Guerra em livro

A vida dos soldados nas trincheiras da Grande Guerra em livro

A reedição do livro "Na Grande Guerra", de Américo Olavo, foi apresentada esta sexta-feira, em Lisboa, numa cerimónia que serviu para assinalar o 58.º aniversário da Direção de História e Cultura Militar.

Com prefácio da jornalista e investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Fátima Mariano, a obra agora reeditada é o testemunho de Américo Olavo Correia de Azevedo (1882-1927) sobre a vida dos soldados portugueses nas trincheiras da Grande Guerra (1914-1918).

Nas páginas do livro, Américo Olavo descreve as condições em que os soldados portugueses sobreviviam na frente de guerra, na Flandres, numa linguagem simples, de modo a que todos possam perceber a mensagem, mesmo os que não têm conhecimentos militares.

Na mesma obra, como explica a autora do prefácio, "Américo Olavo não se abstém de criticar os seus camaradas oficiais", a quem acusa de tentarem ao máximo não participar na guerra, ou uma vez nesta, ficarem o mais afastados possível dos locais perigosos. "Aqui os benefícios parecem ser todos para os que descansam", escreve a certa altura.

Mas, descreve Fátima Mariano, "há ainda lugar dos momentos de convívio entre camaradas, dos jantares fartos e bem regados de vinho e de cerveja, dos medos e das esperanças, do contacto com as populações locais, dos amores e desamores pelas 'mademoisselles'".

Editado pela Quartzo, o livro acaba com a sua captura pelos alemães, a 9 de abril de 1918. Passou por dois campos de prisioneiros, onde reencontrou inclusive um irmão, e só regressa a Portugal em fevereiro de 1919.

Américo Olavo nasceu no Funchal a 16 de dezembro de 1881 e morreu em Lisboa a 8 de fevereiro de 1927, abatido com um tiro no abdómen em sua própria casa, na Rua de Santana à Lapa. Segundo a versão oficial, terá sido um disparo acidental durante uma revista das autoridades à residência.

O seu envolvimento em todas as conspirações republicanas, que se seguiram à ditadura de João Franco e até à implantação da República, valeram-lhe um lugar no gabinete do ministro da Guerra no governo provisório e a eleição, em 1911, como deputado, cargo para o qual foi sendo eleito de forma sucessiva até 1925.