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Agustina, pouco popular mas com selo de qualidade

Agustina, pouco popular mas com selo de qualidade

Reduzida internacionalização da obra da romancista Agustina Bessa-Luís não reflete o prestígio em Portugal. Mercado francês reconhece a autora de "A sibila" como nome incontornável da literatura contemporânea.

Ao leitor médio dos principais mercados mundiais, excetuando a França, o nome de Agustina não soará tão familiar como se poderia pensar. Mesmo tratando-se de uma das autoras cimeiras da literatura portuguesa da segunda metade do século XX, o grau de conhecimento da obra agustiniana ficou limitado a círculos restritos e académicos. Uma evidência que Agustina Bessa-Luís sempre atribuiu ao caráter particular dos seus livros, grande parte dos quais diretamente relacionados com a realidade social portuguesa do século XX.

Com o auxílio de Ray-Güde Mertin - tradutora e agente literária responsável pela divulgação dos principais autores portugueses no estrangeiro -, a obra da autora de "Um cão que sonha" adquiriu um selo de qualidade notório. Insuficiente para figurar na lista dos "best sellers", o que aconteceu em Portugal com a maior parte dos seus livros, mas suficiente para ser reconhecida pelos leitores mais exigentes.

"Em França, sou conhecida como alguém que escreve bem. Os franceses dão muito valor à elegância da prosa e ao valor do texto. Já na Alemanha é mais complicado, porque se trata de um mercado sem a mesma vitalidade editorial e menos direcionado para escritores pouco comerciais", afirmou numa entrevista ao "JN", em 2004, por ocasião da entrega do Prémio Camões.

Além do inglês, os livros da autora estão disponíveis em alemão, sueco, dinamarquês, russo, romeno, francês, castelhano e grego.