Cinema

"Albatros" é uma experiência humana partilhada

"Albatros" é uma experiência humana partilhada

Estreia esta quinta-feira nas salas filme realizado por Xavier Beauvois.

Uma das particularidades positivas do cinema francês, detentor de uma das principais indústrias na área, apenas batida por Hollywood e Bollywood, e que se encontra num dilema estrutural entre um cinema comercial e popular de qualidade duvidosa e um cinema de autor em crise, é a existência de um certo regionalismo.

A situação é potenciada pela existência de organismos nas grandes regiões em que o país se divide que, sob a tutela do CNC, o instituto de cinema local, subsidiam produções aí rodadas, evitando assim uma concentração num cinema urbano e parisiense.

É assim que Xavier Beauvois desloca o seu último filme para uma localidade da costa da Normandia, permitindo ao espectador a descoberta de outras realidades sociais e geográficas. Beauvois, com uma carreira também como ator, e tem como obra mais conhecida "Dos homens e dos deuses", sobre um caso verídico passado na Argélia.

Não espanta pois não só a localização geográfica do seu novo filme, "Albatros", como a profissão do protagonista e a vertente social da história. A personagem central, Laurent, é chefe da polícia de uma localidade onde toda a gente se conhece e, apesar da vida privada se estar a organizar, com o pedido de casamento à companheira com quem já tem uma filha, tudo começa a desmoronar-se quando, ao tentar salvar um agricultor do suicídio acaba por o matar acidentalmente.

Filme também sobre a culpa, o silêncio e a solidão, "Albatros" ganha ainda pontos por um argumento elaborado em colaboração com uma das suas atrizes e sobretudo pelo notável trabalho de Jérémie Renier. O belga, apesar de já ter uma filmografia impressionante, será sempre recordado pelas várias colaborações com os Dardenne, em "A promessa", "A criança" e "O miúdo da bicicleta".

Com o seu trabalho instintivo, Laurent é um ser humano como qualquer outro, polícia por acaso, atormentado pelos desígnios da vida. Uma experiência humana que se partilha, como se Laurent fosse um dos nossos amigos. Há bom cinema por aqui.

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