Concerto em Braga

Porque chora Rosalía?

Catarina Ferreira

Concerto de Rosalía no Altice Fórum Braga|

 foto Gonçalo Delgado/Global Imagens

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Rosalía atuou esta sexta-feira à noite num esgotado Altice Fórum Braga, no âmbito da Motomami World Tour. Este domingo o fenómeno segue em Lisboa, na Altice Arena.

Como os escapes da mota da protagonista, também os seus fãs iam avisando que queriam arrancar ainda antes do concerto, em Braga. Colares de havaianas, roupa de napa, barrigas de fora, dois totós, brilhantes na cara, muitos lábios vermelho proibitivos e claro, as imprescindíveis sessões de fotos. Essas onde ninguém se quer fotografar com os amigos, mas sozinho. Aparentemente quem mimetiza a vida de "Motomami" é uma espécie de Lone Ranger.

Momentos antes do concerto, soa "Volando voy" de Camarón de la Isla e logo ali a imensa comunidade espanhola se revela, cantando a plenos pulmões : "Volando voy, volando vengo por el camino yo me entretengo". Quase dando a sensação de existirem mais espanhóis na sala, do que portugueses.

A moto decide por fim terminar com o crescendo e logo ali emerge, de uma onda de gritos, e com os seus oito bailarinos, o fenómeno Rosalía, vestida de negro, mini calções e agora de cabelo curto, como manda o código de conduta de renovação comercializável.

Uma alegria triste

"Feliz na tristeza, triste na alegria". Rosalía parece seguir o princípio do filósofo Giordano Bruno. Dificilmente alguém faria de uma canção sobre despeito, como "Despechá", um êxito dançante de verão e de uma canção sobre os prazeres carnais, como "Hentai", uma dilacerante balada, recheada de melismas para demonstrar a sua brutal capacidade vocal técnica.

Se todo o embrulho vem recheado a golpes de anca, ventinho artificial (o cliché dita que o cabelo das divas voa sempre), primeiros planos de quadril, em que por uma questão de escala, quase faz parecer que presta mais atenção à steady cam que ao público. Em seguida é capaz de envergar uma bata de cola de 20 metros, fazer uma homenagem a Carmen Amaya e chorar por seguirya. E o público que remédio tem se não seguir na vertiginosa montanha russa a que ela nos convida.

Para a subida traz-nos "Bizcochito"e "La fama", para logo deixar tudo em suspenso, parar e agradecer a Braga a primeira vez que tocou no Theatro Circo, "um teatro muito lindo e a todas as pessoas que me seguem desde esse disco". Lembra também a fadista Carminho e canta um pequeno refrão que leva alguém do público a gritar: "Se esta mulher tivesse nascido em Portugal era fadista".

Com o público rendido, retribui a gentileza ao Golden Circle (parte mais próxima do palco), as bandeiras: da Catalunha, do México, de Portugal; recebe ramos de flores e lê as mensagens, na sua voz delicodoce e pede ajuda para dizer: "Eu amo-te". Para logo em seguida, se pôr de quatro, atirar uma garrafa de água pela cabeça e dizer, entre risinhos: "Não sei o que pensará a minha hairstylist". Para que o tédio nunca ouse sequer aparecer, espeta uma bala no peito do espectador chamada "Celos".

Quando só se avança com a força da inércia, "abcdefg", em que "P" é de Portugal. Logo volta a subida, com "Bulerías", provavelmente o ponto coreográfico mais baixo de um grupo de bailarinos impressionante. E já para instalar a loucura "Despechá", em que toda a gente quer sair "de la disco coroná", mantendo a velocidade a versão de "Blinding Lights", de The Weeknd.

Foto: Gonçalo Delgado/Global Imagens

Na descida "para todos os que não estão bem e estão no fundo do fundo", Rosalía deu-lhes "Delírios de grandeza". Para logo vaticinar que a noite necessitava ser terminada "Con altura", ou com "Malamente", ou com "Chicken Teriaky", ou "Diablo" ou quantas o público pedisse no encore.

"Flor de Sakura, ser una popstar nunca te dura, flor de Sakura, no me da pena me da ternura", entoa Rosalía. Na voracidade da música nunca se sabe quanto vai durar um artista, mas, se são necessários todos estes artifícios comerciais para vermos Rosalía no seu registo de alegria dilacerante, aqui estamos.

A próxima viagem decorre amanhã, em Lisboa.

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