História

António Borges Coelho vence Prémio Rodrigues Sampaio

António Borges Coelho vence Prémio Rodrigues Sampaio

O historiador e poeta António Borges Coelho conquistou o Prémio Rodrigues Sampaio, promovido pela Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto e pelo Município de Esposende. A decisão foi tomada por unanimidade.

"Personalidade ímpar da cultura e da cidadania, autor de inovadora e vasta obra no domínio da História, mas também poeta luminoso", nas palavras do júri, António Borges Coelho venceu o Prémio Rodrigues Sampaio.

Além do trabalho de investigador, o júri destacou na figura do galardoado o seu exemplo de homem de coragem. "Mesmo nos tempos da dura repressão fascista, jamais traiu a luta por um Portugal de liberdade livre. Preso, perseguido, ou forçado a mergulhar na clandestinidade, sempre inventou tempo para a bondade e para avivar a voz dos silenciados", precisou.

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António Borges Coelho nasceu em Murça, Trás-os-Montes, em 1928. Historiador, investigador, poeta, licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, em 1967, e doutorou-se em 1984, na mesma instituição.

Autor de "A Inquisição em Évora", "Portugal na Espanha Árabe (1972-1975)" e de "História de Portugal - 7 volumes", entre outras obras, escreveu ainda, no âmbito da literatura, os livros "Roseira verde", "Ponte submersa" ou "Ao rés da terra".

Na juventude, oposicionista ao regime do Estado Novo, integrou o Movimento de Unidade Democrática Juvenil e foi funcionário do PCP, do qual se desfiliaria em 1991. Na luta contra a ditadura, foi preso político, no Aljube e na Prisão de Peniche.

O Prémio Rodrigues Sampaio, de periodicidade bianual e com um valor monetário de 7.500 euros, distingue uma personalidade da Cultura portuguesa que, ao longo do seu percurso, "tenha praticado os valores da liberdade, da cidadania, como forma de aproximação entres as pessoas, com vista a uma sociedade verdadeiramente democrática"

Inês Cardoso, diretora do "Jornal de Notícias", Alexandra Roeger, vice-presidente do Município de Esposende, Francisco Duarte Mangas, presidente da AJHLP, José

Manuel Mendes, presidente da APE, e Valdemar Cruz, jornalista do "Expresso", integraram o Júri na edição de 2022.

Apoiado pela Gulbenkian aquando da sua criação, nos anos 50 do século passado, o galardão pretende perpetuar a memória de Rodrigues Sampaio, combatente da liberdade de expressão durante o liberalismo.

Ao longo dos anos, distinguiu, entre outros, Joel Serrão, José Manuel Tengarrinha, Victor de Sá, Óscar Lopes, Vasco Graça Moura e Hélder Pacheco.

Na década de 80, por falta de apoios, o prémio foi suspenso, sendo retomado agora, nos 140 anos da AJHLP - com o patrocínio do Município de Esposende, terra onde nasceu o famoso redator de "A Revolução de Setembro" e do jornal clandestino "O Espectro".

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