Cultura

Arte falsa exposta na Polícia Judiciária

Arte falsa exposta na Polícia Judiciária

Inaugura-se esta sexta-feira, na Directoria da Polícia Judiciária do Porto, a exposição "O verdadeiro/falso", que mostra 50 obras que circularam no mercado como sendo de Columbano, Silva Porto, Cargaleiro, Cruzeiro Seixas e Júlio Resende, entre outros.

É a primeira vez que a Polícia Judiciária organiza uma exposição do género, que resulta do trabalho de 10 anos da Brigada de Obras da Arte da Directoria do Porto. São pinturas e desenhos copiadas de obras do século XIX, XX e XXI, cuja autoria é atribuída a grandes nomes das artes plásticas e algumas foram mesmo forjadas no estrangeiro.

Em "O verdadeiro/falso", que abre as suas portas hoje, e que o JN já visitou acompanhado de dois dos responsáveis por estas apreensões, o inspector Lemos Gonçalves e o coordenador Delfim Torres, poderão ver-se obras de uma rigorosa perfeição e outras simplesmente cópias grosseiras que chamam a atenção até do menos entendido em arte. No entanto, todas elas circularam no mercado e os falsários e intermediários tentaram fazê-las passar por verdadeiras. Mas a PJ seguiu-lhes o rasto para as interceptar e hoje são, pela primeira vez, exibidas em conjunto e com o rótulo de "falso".

De acordo com os responsáveis pela brigada, o objectivo desta mostra é chamar a atenção do público para a necessidade de "ter cuidado e não comprar gato por lebre". A PJ alerta, portanto, para a necessidade de, antes da compra, se obter a garantia de que a obra em causa é autêntica.

A falsificação de obras de arte é um crime que continua a verificar-se e, segundo apuramos, os falsificadores propriamente ditos raramente são detectados. "Quase sempre são os intermediários que tentam colocar a obra à venda no mercado, porque torna-se mais difícil chegar directamente ao falsário, ao indivíduo que executa a pintura ou o desenho" , sublinhou o coordenador da Brigada de Obras de Arte da PJ, Delfim Torres. Mas casos há em que as investigações da Polícia levaram mesmo à identificação do falsário. O inspector Lemos Gonçalves revelou mesmo que "um dos últimos casos de pintura falsa, levou à identificação da autora da proeza, uma senhora que vive nos arredores de Lisboa".

Tanto quanto se sabe os falsários de obras de arte são mais mulheres, apesar de os intermediários serem predominantemente homens. Há mesmo, nesta área, reincidentes e um dos casos releciona-se com um indivíduo do Porto, profundamente conhecido da PJ e que até já esteve preso várias vezes. No entanto, quando sai em liberdade, não desiste e reincide na venda de arte falsa, recorrendo muitas vezes a meios grotescos e facilmente identificáveis.

Nesta mostra, um dos pintores mais "falsificados" é Artur Cruzeiro Seixas, a quem é atribuída a autoria de cinco obras expostas. Cruzeiro Seixas, um dos introdutores da arte surrealista em Portugal é, possivelmente, um dos artistas mais "invejados" pelos falsificadores, alegadamente porque emprega poucas cores e utiliza frequentemente um traço de execução aprentemente fácil.

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Lemos Gonçalves adiantou ao JN que, no caso deste pintor, as cópias são digitais, de boa qualidade e são-lhes imediatamente colocadas molduras para "não dar hipótese ao comprador interessado de se inteirar dos pormenores da falsificação".

Para este responsável, a Polícia Judiciária tem tentado, na medida do possível, desmontar o negócio que surge em torno das falsificações e, confessa, que muitas destas apreensões tiverem lugar em leiloeiras, que é um espaço muito procurado pelos intermediários da burla.

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