Festival

As mil problemáticas a discutir no MIL

As mil problemáticas a discutir no MIL

O festival que junta concertos, programas artísticos e convenções regressa esta quarta-feira para a sua 5ª edição, em Lisboa.

O festival MIL - Lisbon International Music Network 2021 diferencia-se dos restantes festivais por perseguir quatro ideais: descoberta, promoção, valorização e internalização da música popular. O certame regressa a Lisboa, para a sua 5ª edição, nos dias 15, 16 e 17 de setembro no Hub Criativo do Beato.

"O MIL parte da lógica das convenções e dos show case festivals, que visam a promoção e internacionalização de artistas", afirma, ao JN, Gonçalo Riscado, diretor do evento. "É um ponto de encontro de profissionais. Tem uma componente de formação técnica em termos de recursos para trabalhar no setor da música, seja na comunicação, na edição ou na informação sobre direitos de autor."

Por outro lado, continua, "os espetáculos têm como principal objetivo permitir que os profissionais vejam novos artistas que podem vir a representar, editar ou programar. Ou seja, tem associada uma componente de exportação de artistas".

Mas o MIL já cresceu muito para lá das premissas iniciais. As convenções, por exemplo, transformaram-no, também, "num espaço de reflexão do setor cultural".

Este formato de festival não é único, mas distingue-se por querer ser mais do que um showcase festival. E por "trabalhar para ser um boutique festival e não se fechar numa lógica em que tudo é 'business oriented'. Não é que isso não passe nas nossas formações, mas estamos a conquistar um formato nosso".

Junta-se ainda a revista, que surge para discutir temas relevantes da indústria.

PUB

O impacto do digital no setor cultural

"O Futuro da Cultura É o Futuro ao Vivo". Este é o slogan da edição deste ano MIL, um princípio que não vai de encontro ao que tem acontecido recentemente, muito por responsabilidade da pandemia.

Inês Henriques, coordenadora da revista MIL, assegura ao JN que "o MIL é um festival presencial, que vive do encontro para debate e troca de experiências, de conhecimento e potenciais oportunidades". No ano passado, lembra, "tivemos alguns eventos no formato digital, mas esta tónica presencial, da realização de concertos e debates ao vivo é essencial".

"No programa da convenção priorizamos a necessidade de discutir o digital e os impactos no setor da cultura, porque o digital é inevitável. Contudo, o modo como está a decorrer pode ser reversível. Tem que ser pensado e refletido, para que se crie um espaço cultural que seja transparente, justo e igualitário para todos os intervenientes", afirma, para explicar que não rejeita o digital.

"Não há uma rejeição, há uma reflexão crítica sobre o impacto no setor cultural".

Discutir os direitos de autor

O MIL tenta dar voz às problemáticas na indústria, não questionando as oportunidades que o digital traz aos artistas. Os responsáveis do festival garantem não ser ser contra as novas forma de distribuição e audição da música, mas querem discutir a distribuição do dinheiro gerado dessa forma, quem o recebe e porquê.

"Há soluções e caminhos e tem de haver vontade política para as colocar em prática. A cultura não pode ficar escrava, não pode ficar presa numa ditadura de algoritmos e acessos e decidir quem é que pode ver o quê."

Gonçalo Riscado defende que a formação das pessoas é essencial, para que tenham capacidade de escolha. "Vai estrear um Matrix novo, é esse caminho que estamos a seguir, todos enfiados numa capsulazinha", critica.

"Para nós, que trabalhamos no setor cultural, a formação não é só aprender o ofício, é desenvolver uma opinião crítica, e é um processo de validação e de discussão que é fundamental para a nossa vida em sociedade."

O MIL, argumentam, é um projeto ambicioso de que todos podem beneficiar, sejam os artistas, os agentes ou o público. "Resumir o MIL a uma oportunidade de afirmação ou disposição do artista é redutor."

Carla Prata atua quinta-feira no Hub Criativo do Beato

Com 50 concertos marcados em cinco palcos, dois deles resultantes de duas residências artísticas, a aposta é nas futuras tendências e em artistas que não se encaixam nas fórmulas comerciais. Carla Prata, que faz a sua estreia em território português, é apenas um exemplo. Tal como YNDI, compositora, performer e produtora franco-brasileira, que é uma das apostas do mercado de música francês para 2022.

A baixista de Goat Girl, Naima Bock, agora a solo, Dino Brandão e EU.CLIDES, a dupla anti-rock que mistura o punk com a disco, e Kelman Duran que está a preparar novo trabalho para apresentar em Portugal, fazem também parte do cartaz.

As duas residências artísticas juntarão as espanholas Tarta Relena e os portugueses Lavoisier, e noutra, o produtor Pedro da Linha e o músico Álvaro Romero.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG