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Bamboleando nos Coliseus com os Gipsy Kings

Bamboleando nos Coliseus com os Gipsy Kings

Os Gipsy Kings by André Reyes atuam amanhã, às 22 horas, no Coliseu Porto Ageas e domingo no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Trazem um camião de êxitos e a promessa de euforia.

A história de uma das bandas de maior sucesso no Mundo começa com a Guerra Civil de Espanha (1936-1939). Um grupo de ciganos andaluzes residentes na Catalunha emigra em fuga do sangrento conflito para o sul de França. Instalados na cidade de Arles, e já na década de 1960, os primos José Reyes e Manitas de Plata (um virtuoso da guitarra) criam um duo de rumba flamenca com grande êxito.

Nos anos 70, José Reyes junta-se aos filhos Nicolás e André para formar a banda Los Reyes, um grupo de animação de casamentos, festas, festivais, percorrendo as ruas das cidades do sul da França.

Com a morte de José Reyes em 1979, Tonino Baliardo, filho de Manitas de Plata, junta-se ao grupo e passam a chamar-se Gipsy Kings. Com a experiência adquirida, sabiam qual o cocktail perfeito para pôr qualquer multidão a bambolear-se. Em 1987 lançam um álbum homónimo demolidor, no qual há temas como "Djobi djoba", "Bamboleo" e "Un amor". Curiosamente, 34 anos depois e fazendo jus às origens, continuam a ser hits em casamentos.

No quarto álbum, "Mosaique", de 89 , decidem recriar a conhecida "Nel blu dipinto di blu", ou "Volare", do italiano Domenico Modugno. Novo êxito. Seguiram-se discos como "Este mundo" (1991), "Love & liberté" (1993), "Estrellas" (1995), "Compas" (1997), "Somos gitanos" (2001), "Roots" (2004), "Pasajero" (2006) e "Savor flamenco" (2013). Com este último ganharam um Grammy Latino em 2014.

Alergia purista

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Os puristas flamencos sofrem de uma irritabilidade crónica com a banda, tudo porque as suas misturas com a pop e a música latina atiram os temas para fora da quadratura dos palos (ritmos) flamencos. Mas é inegável que, num tempo em que não existia Internet, os Gipsy Kings foram um dos grandes responsáveis pela abertura da porta flamenca ao Mundo.

Os Gipsy Kings são um fenómeno na maioria da Europa Ocidental, especialmente em França e no Reino Unido. Mas não só. Quando "Gipsy Kings" foi lançado nos Estados Unidos, manteve-se 40 semanas nos tops, sendo um dos raros álbuns em espanhol a conseguir tal proeza. Em 1989 estiveram num concerto no Royal Albert Hall, em Londres, juntamente com algumas das maiores estrelas da pop-rock mundial, como Elton John e Eric Clapton

Em 1991, Chico Bouchikhi deixou a banda. Nesse mesmo ano, os Gipsy Kings tocaram guitarra flamenca na versão de "Long train running" (original dos Doobie Brothers) interpretada a meias com as Bananarama, usando o pseudónimo Alma de Noche. Em agosto de 92, Andre Reyes deixou a banda.

A versão do grupo para "Hotel California" que aparece no filme dos irmãos Coen "The big Lebowski", de 98, é um excelente exemplo do dedilhado flamenco e torna-se mais um hit.

As suas compilações de êxitos também vendem em abundância.

Atualmente coexistem em digressão duas versões dos Gipsy Kings, cada um por conta das famílias originais que os criaram. Uma delas é liderada por Diego Balliardo. A outra é a de André Reyes, a que estará presente no Coliseus.

A formação trará André Reyes, Thomas Reyes, Kakou Reyes, Mario Reyes, Tambo Reyes, Patchai Reyes, Joseph Cortas, François Santiago, Danny Avelino e Guilherme Alves. Resultados a confirmar amanhã e domingo à noite. Os bilhetes custam entre 50 e 100 euros.

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