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Braga propõe "Tempo de Contemplação" na candidatura a Capital Europeia da Cultura

Braga propõe "Tempo de Contemplação" na candidatura a Capital Europeia da Cultura

"Tempo de Contemplação" é o lema que vai orientar a candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura (CEC) em 2027. O dossiê foi apresentado esta sexta-feira numa emissão da Rádio Universitária do Minho, no edifício Gnration. Ao todo, estão em cima da mesa 50 projetos com cinco eventos-âncora.

"Tempo de Contemplação" é o lema que vai orientar a candidatura de Braga a Capital Europeia da Cultura (CEC) em 2027. O dossiê foi apresentado esta sexta-feira numa emissão da Rádio Universitária do Minho, no edifício Gnration. Ao todo, estão em cima da mesa 50 projetos com cinco eventos-âncora.

"O tempo para contemplação tem imbuído as questões do tempo, ação e contemplação. Queremos desenvolver um processo de reflexão conjunta, que nos convida a desacelerar, a conectarmos connosco, com o espaço que nos rodeia e com os outros. Guardarmos tempo para nós, para a fruição cultural e refletirmos no nosso papel enquanto sociedade", justificou Cláudia Leite, coordenadora geral da Braga"27.

Dividido em quatro pilares - templo da criação, da empatia, da deambulação e do despertar -, o programa foi resultado de uma estratégia cultural desenhada para uma década - até 2030 -, que reuniu mais de 3000 pessoas e organizações em processos de auscultação entre 2018 e 2020.

Ser "um processo participado" e "um projeto de toda a cidade" serão "vantagens" da candidatura, entende a perita internacional em Capitais Europeias da Cultura, Cristina Farinha, apontando, também, as relações de Braga com o exterior como outro ponto a favor.

"Braga já está a desenvolver um conjunto de parcerias a nível internacional, com outras entidades, instituições, cidades e artistas. Todos estes contactos que já foram desenvolvidos são portas abertas e amizades importantíssimas para a cidade", acrescentou a especialista.

Saindo vencedora, a cidade já delineou cinco eventos-âncora. A abertura de Braga"27, "Novos Templos", contará com uma cerimónia oficial e uma cerimónia de inauguração artística e comunitária. Um dos convidados será o compositor Llorenç Barber (Espanha) para criar um projeto sonoro com os sinos da cidade.

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Seguir-se-á a celebração da Semana Santa com "Ritos da Primavera". Às cerimónias no centro da cidade, juntar-se-ão peças performativas sobre a diversidade cultural e costumes desta época.

No Dia da Europa, 9 de maio, Braga quer juntar as 27 nações da União Europeia para partilharem as suas tradições populares. Já na altura do S.João de Braga, arranca a "Parada do Solstício", chamando grupos folclóricos de outras latitudes para se juntar à romaria.

"Templos Permanentes", que marcará o encerramento da CEC, é o último evento-âncora previsto. No final de 2027, um grande concerto, espalhado por diferentes palcos da cidade, verá artistas e cidadãos a dar voz às canções icónicas de resistência de Portugal e Letónia, que acolhem a iniciativa em 2027, mas também de França e República Checa, que recebem o testemunho.

"A candidatura apresenta projetos transformadores. O que queremos é que haja mudanças de hábitos, pré-rotinas, conceitos e, no fundo, sejam criadas novas práticas através de projetos culturais e de uma maior participação dos artistas e cidadãos", sublinhou Cláudia Leite.

Além dos eventos-âncora, o programa prevê 50 projetos divididos por quatro eixos. O "Templo da Empatia" aponta para novas práticas comunitárias e dá destaque a questões como o envelhecimento da população e a doença mental.

Com o "Templo da Deambulação" espera-se "uma conexão com a natureza", elucida Cláudia Leite, que pretende chamar, por exemplo, 27 escritores de 27 estados-membros para fazer os Caminhos de Santiago, através de uma residência de escrita.

O terceiro pilar, "Templo de Despertar", vai juntar artistas, investigadores e pensadores para abordar os desafios dos novos tempos, como a mobilidade e o espaço público.

O "Templo da Criação" dá espaço a festivais de música eletrónica e arte digital como Semibreve. Promete-se, também, transformar lojas desocupadas dos centros comerciais de primeira geração em salas de ensaio e galerias.

Naquilo que são equipamentos culturais, a novidade vai para a criação de um novo museu de arte contemporânea, no centro da cidade, por parte de uma empresa privada, que investirá 15 milhões de euros.

Até, agora, eram apenas conhecidos os investimentos públicos no Media Arts Centre, no antigo cinema S.Geraldo, e a requalificação da escola Francisco Sanches, para ali ser instalado um centro cultural.

Segundo o presidente da Câmara, Ricardo Rio, para lá do investimento em infraestruturas, o Município vai destinar, este ano, "oito a nove milhões de euros" do orçamento municipal, para investir em cultura.

O autarca prometeu que, mesmo sem alcançar o título de Capital Europeia da Cultura, "muitas iniciativas vão ser uma realidade".

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