Cinema

Brasil: Festival do Gramado comemora 50 grandes edições

Brasil: Festival do Gramado comemora 50 grandes edições

Uma das maiores iniciativas cinematográficas da América Latina começa esta sexta-feira. Leonel Vieira está presente na competição através do novo filme "O último animal", com Joaquim de Almeida.

A cerca de duas horas de viagem por via terrestre desde Porto Alegre, a capital do estado mais a sul do Brasil, o Rio Grande do Sul, situada a 850 metros de altitude e com pouco mais de 35 mil habitantes, Gramado é uma cidade conhecida como estância montanhosa, fortemente influenciada pelos colonos alemães que ali chegaram no século XIX, a que nem falta um Lago Negro como uma das principais atrações turísticas.

Mas, para os cinéfilos, o Gramado é um nome mítico, visto que ali se realiza um dos mais importantes festivais de cinema de toda a América Latina. Este ano, o Festival do Gramado comemora as suas primeiras 50 edições.

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O festival começou por ser uma celebração do cinema brasileiro, como atestam bem as palavras do realizador de "Cidade de Deus" e "Ensaio sobre a cegueira", Fernando Meirelles: "Se olharmos para a história do Festival, podemos saber como foi o nosso Brasil e o nosso cinema nos últimos 50 anos". Em 1992, com a internacionalização do evento, o festival passou também a fazer um panorama da produção ibero-americana, ao mesmo tempo que mostra as novas tendências de um cinema brasileiro contemporâneo em constante mutação.

Portugueses dizem presente

Desde a primeira edição, realizada em 1973 e conquistada por "Toda a nudez será conquistada", de Arnaldo Jabor, visto em Portugal após a abolição da censura, em abril de 1974, são muitos os vencedores do Gramado que fazem parte do imaginário cinéfilo internacional, como o cubano "Morango e chocolate", o espanhol "Saltos altos" ou o peruano "A teta assustada".

"Repare bem", documentário de Maria de Medeiros e "A Sombra dos Abutres", primeira longa-metragem de Leonel Vieira, foram também vencedores no Gramado.

O filme da portuguesa, há muito radicada em França, refletia já a ligação que vem mantendo também com o Brasil. Curiosamente, um caminho que Leonel Vieira seguiria mais tarde, nomeadamente com o épico "A Selva", baseado em Ferreira de Castro, e que culmina este ano com "O último animal", uma das longas-metragens incluídas na competição internacional.

Interpretado por Joaquim de Almeida e em coprodução com o Brasil, o filme centra-se no percurso de Didi, que sonha melhorar a sua vida, para começar tentando sair da favela do Rio de Janeiro onde cresceu. Mas, sem o saber, acaba por estar a trabalhar com um emigrante português, envolvido no submundo do jogo. Um filme que aborda o pesadelo da violência, do narcotráfico e da corrupção na cidade maravilhosa.

Marcos Palmeira homenageado

O Festival do Gramado, que decorre a partir desta sexta-feira, 12 de agosto, num país onde milhões de pessoas aspiram pela mudança, nas eleições presidenciais que se avizinham (2 de outubro), mostrará ainda, na competição internacional, filmes da Argentina, Peru, Chile, Espanha, Uruguai e México.

O cinema brasileiro tem uma competição própria, de longas e curtas-metragens, havendo ainda um programa dedicado. Haverá ainda a sexta edição de um Mercado do Filme, muito importante para cimentar laços entre produtores e criadores desta região do mundo tão viva neste momento.

Durante o festival, que termina no próximo dia 20, serão homenageados o popular ator Marcos Palmeira, a atriz gaúcha Araci Esteves e o realizador, argumentista e produtor Joel Zito Araújo, famoso por lançar no cinema brasileiro a temática do negro na sociedade brasileira. Comemorando o duplo centenário da independência do Brasil, será feita uma sessão especial com "A Viagem de Pedro", que a brasileira Lais Bodanzky fez em coprodução com Portugal.

Nos próximos dias o JN estará no Gramado, para dar conta do que de melhor se viu e do que de mais importante se passou no Gramado.

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