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Como os vinhos se demarcaram das crises

Como os vinhos se demarcaram das crises

Em 2018, as regiões demarcadas do Dão e dos Vinhos verdes celebraram, em conjunto, o 110.º aniversário da constituição de ambas, em lei promulgada pelo rei D. Manuel II. A medida resultou de um longo processo, nascido no terceiro quartel do século XIX, que envolve abundância, penúria, a praga que destruiu os vinhedos europeus, mixórdias de toda a ordem e acesos debates.

Portugal tem, nas últimas décadas, assistido a um notável progresso do setor vitivinícola, com efeitos consideráveis na diversidade e qualidade do produto. Tal faz, por exemplo, com que os vinhos portugueses gozem já de um reconhecimento internacional que tardavam em conquistar. Se quisermos encontrar razões para isso, as maiores estarão num passado recente e no impulso dado por novos protagonistas, mas em tudo encontramos, também, o lastro histórico que aqui nos interessa. Os alicerces. E esses não se esgotam no marquês de Pombal, que ainda o não era quando instituiu a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 1756. Em 1908, um passo importante era dado com a demarcação das regiões do Dão e dos Vinhos Verdes, e, ainda, outras, em menos significativas escalas territorial e económica.

Se aos apreciadores poderá parecer óbvio, pelas qualidades organoléticas dos diferentes vinhos, que o território se divida em regiões vitivinícolas distintas entre si, justificando regras próprias para todo o processo, da cultura da vinha à vinificação, é claro que nem sempre foi assim. E as demarcações surgiram, sobretudo, como respostas a momentos de crise. Já assim fora com o Douro, no pombalismo, também o foi nos alvores do século XX. Mas teremos de recuar umas décadas para encontrar o principal (ou o primeiro, pelo menos) culpado dessa mesma crise, que tem nome e cujo nome aqui fica: Phylloxera vastatrix.

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