Cultura

Capão à Freamunde é o rei da consoada de Natal em Paços de Ferreira

Capão à Freamunde é o rei da consoada de Natal em Paços de Ferreira

A quadra natalícia em terras de Paços de Ferreira é marcada pelas mesas preenchidas com o capão assado na consoada ou no almoço do dia 25 de dezembro, numa tradição centenária e singular no país.

Quem mora na região afirma, com orgulho bairrista, não prescindir da iguaria, preparada de acordo com o receituário tradicional, transmitido de geração em geração, por tradição oral.

Em casa ou nos restaurantes da região, o capão à moda de Freamunde (cidade do concelho de Paços de Ferreira) começa a ser consumido, com mais frequência, por altura da feira de Santa Luzia, a 13 de dezembro, prolongando-se até à quadra do Natal.

O capão resulta da castração de um frango, com cerca de três meses, ao qual é cortada a crista, e cresce até aos nove meses, atingindo cerca de sete quilogramas e um aspeto imponente, quando é abatido para consumo humano.

Os apreciadores dizem que a ave tem uma carne mais tenra e um sabor diferenciado em relação ao frango.

Renato Araújo, chefe de cozinha num restaurante de Freamunde, disse à agência Lusa ser tradição, em dezembro, os clientes do estabelecimento pedirem capão.

Cada capão cozinhado, com o respetivo acompanhamento, é suficiente para oito adultos e a refeição, no total, custa cerca de 120 euros.

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"Também lá em casa se consome capão na consoada", gracejou o cozinheiro, frisando que o prato rivaliza com as batatas cozidas e bacalhau.

No ano passado terão sido consumidos na região 2.400 capões, segundo números da associação que representa 63 criadores.

O chefe de cozinha ouvido pela Lusa disse que a tradição é antiga em Freamunde, onde se aprimorou a arte de castrar e criar as aves, além dos elaborados segredos do cozinhado, que orgulham as gentes da localidade.

A ave começa a ser preparada 48 horas antes de ir ao forno, destacando-se o tempero com vinho do Porto e vinho verde. O recheio, à base de miúdos, é um segredo bem guardado.

Apesar de ser descrito como um repasto tradicional, o capão é também "muito apreciado" entre os mais jovens, talvez porque, sugeriu, tenham herdado dos pais e avós o prazer de degustar a ave cozinhada no Natal.

Albina Mota, 65 anos, criadora de capões há 45, disse à Lusa chegar a produzir entre 40 a 60 capões, nesta altura do ano, a maioria vendida para restaurantes, mas também para particulares, de vários pontos do país.

Na região, acentuou, há cada vez mais pessoas a criar a ave, com métodos tradicionais, o que representa, admitiu, uma receita relevante para quem se dedica à atividade.

Cada animal, afirmou, é vendido a 50 euros.

A criadora sublinhou saber cozinhar o capão com mestria, mas só para a família, no Natal, tanto na consoada, como no dia 25.

"Aqui é tudo assim", comentou, carregando ao colo um dos seus capões vivos.

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