Porto

Casa da Música reabre com "esperança"

Casa da Música reabre com "esperança"

Orquestra Barroca atua em versão reduzida e sem maestro. É novo paradigma das salas de espetáculo. Sala Suggia reduz lotação de 1200 para 180 lugares.

É num quadro de grandes limitações, mas com um programa sem fronteiras que a Casa da Música (CdM) reabre hoje ao público depois de 78 dias de reclusão. À Orquestra Barroca cabe o concerto que vai inaugurar um novo paradigma de atividade (nesta como noutras salas do país), marcado pela redução e realinhamento dos músicos em palco, pela rarefação do público na plateia, e por novas regras de circulação e bilhética. É o primeiro dia do resto da vida da CdM depois do "período mais difícil" em 15 anos de atividade, nas palavras do diretor artístico António Jorge Pacheco.

Novas regras

A partir de hoje, não haverá lugares marcados, nem bilhetes físicos na CdM, além de ser obrigatório o uso de máscara. Para salvaguardar o distanciamento social, a atividade vai concentrar-se na sala principal, a Sala Suggia. Com capacidade para 1200 espectadores, a plateia vai ter no máximo 180, com dois lugares vazios entre cada ocupante. Em palco, os músicos terão de observar uma distância que varia entre os dois metros (instrumentos de sopro) e 1,5 metros (instrumentos de corda). Serão, no máximo, 30 intérpretes em palco, o que obrigou a refazer "toda a programação com obras compatíveis com a dimensão da orquestra que é possível ter", diz a propósito o diretor artístico.

Será um desafio para os músicos, "habituados a tocar ombro a ombro", como foi também um desafio para a equipa da Casa estabelecer circuitos que impeçam cruzamentos indesejados. "A arquitetura da CdM é fantástica, mas tem essa particularidade de ter muitos circuitos internos possíveis. Temos cobertas todas as hipóteses", assegura António Jorge Pacheco.

16 concertos este mês

Depois de ter visto 110 concertos afetados nos dois meses e meio de encerramento, a Casa da Música vai desconfinar a programação com cautela. Para este mês de junho estão agendados 16 concertos, todos de entrada livre (mediante reserva no site da CdM na véspera do espetáculo) e a dias certos da semana: terças, sábados e domingos.

Hoje, o concerto é "simbólico", com a Orquestra Barroca em versão reduzida e sem o maestro titular (retido pelo encerramento de fronteiras no Reino Unido) a interpretar um programa de inspiração europeia, que vai do britânico Henry Purcell a Guilhermina da Prússia, passando pelo italiano António Vivaldi.

Um programa de "esperança" e desejo de regresso à livre circulação, tão fundamental no contexto das grandes orquestras. Que o diga o maestro Baldur Brönnimann, que no sábado vai conseguir dirigir a Orquestra Sinfónica do Porto, mas só depois de uma longa viagem de comboio entre Madrid, onde vive, e a Galiza, de onde seguirá depois para o Porto à boleia do concertino honorário da Osquestra, residente em Santiago de Compostela.