Cultura

Cavaco lembra Hermano Saraiva como "cativante divulgador"

Cavaco lembra Hermano Saraiva como "cativante divulgador"

O presidente da República recordou, esta sexta-feira, o historiador José Hermano Saraiva, que morreu esta manhã, como um "português que amava a sua pátria" e destacou a forma como se tornou um "cativante divulgador" da história e cultura portuguesas.

"José Hermano Saraiva foi, acima de tudo, um português que amava a sua pátria. Por isso, devemos homenageá-lo e evocar a sua memória, que irá perdurar em todos nós", lê-se numa mensagem enviada pelo chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, à família de José Hermano Saraiva e que foi divulgada no "site' da Presidência da República.

Recordando a forma como contribuiu "como poucos" para que os portugueses conhecessem melhor a história do seu país, Cavaco Silva destacou ainda o "excecionais dotes de comunicador" do historiador e jurista e a forma como estabeleceu com várias gerações uma relação de "especial empatia", tornando-se um "cativante divulgador" da história e cultura portuguesas.

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"Escreveu obras que tiveram enorme sucesso, produziu durante vários anos programas televisivos que sempre despertaram o interesse de vastas audiências", lembra também o chefe de Estado.

José Hermano Saraiva, que faleceu, esta sexta-feira na sua residência, no concelho de Palmela, completaria 93 anos no dia 3 de outubro.

"Grande comunicador e divulgador da História"

Por seu turno, o secretário de Estado da Cultura disse que José Hermano Saraiva foi "um grande comunicador e divulgador da História e da cultura de Portugal".

Francisco José Viegas disse que o historiador e antigo embaixador de Portugal, em Brasília, era "uma figura conhecida de todos os portugueses" e "alguém que se destacava pela sua capacidade de diálogo, sempre possuidor de um espírito amável, tolerante e inquiridor".

O governante destacou "o papel desempenhado por Hermano Saraiva na divulgação da História e da cultura" e referiu o sucesso obtido pelo seu livro "História Concisa de Portugal", assim como os programas televisivos que apresentou.

No comunicado, o secretário de Estado refere uma das suas mais recentes conversas com o historiador, e recorda "a sua vontade em partilhar e empreender sempre uma multiplicidade de novos projetos para o futuro, dedicando uma energia incansável e permanente ao estudo e à investigação, na sua busca de conhecimento".

Nascido em Leiria, no dia 3 de outubro de 1917, José Hermano Saraiva notabilizou-se nas quatro últimas décadas através de programas televisivos sobre História.

Licenciado em Histórico-Filosóficas (1941) e em Ciências Jurídicas (1942), exerceu advocacia e foi professor do ensino secundário. Em 1957 foi deputado à Assembleia Nacional e procurador às cortes.

Entre outros cargos públicos que exerceu, antes do 25 de abril de 1974, como o de diretor do Instituto de Assistência aos Menores, foi de ministro da Educação Nacional entre 1968 e 1970, qualidade na qual inaugurou a Biblioteca Nacional de Portugal. Foi substituído por Veiga Simão, após a crise académica de 1969, tendo sido designado embaixador de Portugal em Brasília, em 1972.

A colaboração com a RTP começou em 1971 com o programa "Horizontes da Memória", tendo nesse ano recebido o Prémio da Imprensa para o Melhor Programa do Ano. Foi ainda autor e apresentador de "Gente de Paz", que assinalou o seu regresso à RTP em 1978, "O Tempo e a Alma", "Histórias que o Tempo Apagou" e "A Alma e a Gente".

Um dos seus livros mais conhecidos é a "História concisa de Portugal", já na 25.ª edição, com um total de cerca de 180 mil exemplares vendidos. Editado pela primeira vez em 1978, este título foi já traduzido em espanhol, italiano, alemão, búlgaro e chinês.

O livro foi escrito durante o exílio a que se impôs na Nazaré, a praia da sua infância, durante o PREC (Período Revolucionário em Curso), em 1974-75, a convite do editor livreiro Francisco Lyon de Castro, das Publicações Europa-América.

José Hermano Saraiva dirigiu também uma outra História de Portugal, em seis volumes, publicada em 1981 pelas Edições Alfa.

Na área da História, José Hermano Saraiva publicou cerca de 20 títulos, entre eles "Uma carta do Infante D. Henrique", "O tempo e alma", "Portugal -- Os últimos 100 anos", "Vida ignorada de Camões" ou "Ditos portugueses dignos de memória".

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