Cultura

Centenas expressaram saudades de um poeta e homem bom

Centenas expressaram saudades de um poeta e homem bom

A casa mortuária da igreja do Foco, no Porto, foi, este sábado à tarde, pequena, para receber os muitos amigos e admiradores do jornalista e escritor Manuel António Pina, falecido ontem.

Muitos foram os que quiseram prestar homenagem ao homem e intelectual, distinguido com o Prémio Camões 2011, cujo funeral se realiza hoje, às 9.30 horas, da Igreja do Foco para o cemitério do Prado do Repouso, também no Porto, onde o corpo será cremado.

Jornalistas, escritores, artistas plásticos, atores, políticos e muita gente anónima compareceram neste "adeus ao poeta", como muitos fizeram questão de mencionar. Os escritores Miguel Miranda, Jorge Braga, Álvaro Magalhães e Germano Silva, os políticos Manuel Pizarro, Renato Sampaio e Manuel dos Santos, a ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, o ex-eurodeputado Carlos Lage, o ator e encenador João Luiz, o artista plástico Albuquerque Mendes e os jornalistas Frederico Martins Mendes, José Leite Pereira, Eduardo Côrte Real e Rui Branco foram alguns dos que por lá passaram.

Visivelmente emocionado, o escritor Álvaro Magalhães foi das últimas pessoas, lado a lado com a família, a ver o amigo com vida. "É duro ver um amigo que transformou a minha vida ficar assim tão magrinho. Foi um período muito duro, que, infelizmente, teve um desfecho muito triste".

Álvaro Magalhães prefere, no entanto, recordar a imagem do amigo sereno e bem disposto com quem conviveu ao longo de 30 anos. E, afinal, o que os ligava? Álvaro, com os olhos humedecidos, acrescenta: "Acho que o que nos juntava era o apetite e o desejo de infância que ambos tínhamos".

E também, sublinha o escritor, "a poesia e o amor pelos animais. Ele adorava gatos e eu também, portanto, tínhamos muitas coisas em comum e isso ligava-nos".

O lado humano do jornalista e escritor foi relevado pela maioria das pessoas abordadas pelo JN. O arquiteto Gomes Fernandes considera que, "independentemente das altas qualidades como escritor e poeta, Manuel António Pina era um bom homem, amigo do seu amigo. Sempre pronto a ajudar".

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Conseguia atrair todos Idêntico pensamento tem o médico e escritor Miguel Miranda, que atribui ao poeta "grandes qualidades humanas, aliadas a um grande sentido de humor". Sublinha a grande capacidade "de contar histórias e de atrair todos com o seu encantamento. Ficávamos presos às suas histórias", acrescenta.

Bastante comovido e visivelmente emocionado estava, também, António Leitão, que se identificou como "leitor e admirador incondicional de Manuel António Pina". Confessa que, apesar de nunca ter chegado à fala com o autor, tinha por ele uma "grandíssima admiração".

"Não o conheci, mas pelos seus escritos, pelas suas crónicas, via-se que era boa pessoa", afirma.

* com A.C., E.C. e M.C.M.

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