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Chegou o dia de José Cid receber o Grammy de Excelência Musical

Chegou o dia de José Cid receber o Grammy de Excelência Musical

"Nasci para a música", um dos êxitos de José Cid, encaixa na perfeição no Grammy de Excelência Musical, que o cantor e compositor recebe esta quarta-feira, ao lado de figuras como Joan Baez (EUA) e Omara Portuondo (Cuba).

A distinção comprova que a música é mesmo a sua grande grande paixão. Ainda que, como desassombradamente lamenta, as suas canções tenham deixado de passar na rádio e a Comunicação Social ignore o seu trabalho. Não obstante, o músico não se cansa de agradecer aos portugueses o apoio que lhe dão. "Este Grammy é também vosso", disse num curto vídeo, que publicou ontem, na rede social Facebook, momentos antes de embarcar para Las Vegas, nos EUA, onde decorre a cerimónia da 20.ª edição dos Grammy, José Albano Salter Cid Ferreira Tavares, 77 anos, é o segundo compositor a receber este prémio. Carlos do Carmo recebeu-o em 2014.

A alegria de estar ativo

Com sentido de humor desarmante e inabalável autoestima, Cid não se importa de ser considerado um dinossauro "Todos os países têm o seu", diz. "Os franceses têm Johnny Halliday, os espanhóis têm Miguel Rios. Ambos são uma porcaria ao pé de mim. Sou infinitamente melhor que eles e tenho melhor estética", afirmou, em 2013, ao JN.

Do rock'n'roll à canção de intervenção, do rock sinfónico ao cançonetismo ligeiro, José Cid demonstrou ao longo de uma carreira já com mais de meio século ser um dos mais talentosos e versáteis músicos pop portugueses. "A minha carreira relançou-se porque faço músicas à frente do meu tempo", justificou.

O prémio mais importante

Truculento, generoso (não pára de dar concertos a favor de diversas causas sociais), o músico assume, em jeito de autocrítica, que é "capaz do melhor e do pior", mas orgulha-se de continuar no ativo. "A minha alegria é ser um cantor ao vivo. É uma alegria que não se define", confessou em entrevista à "Notícias Magazine".

Nos últimos anos, o artista tem enchido vários palcos, desde o festival de Vilar de Mouros ao Coliseu dos Recreios, e Campo Pequeno em Lisboa, ou do Coliseu do Porto (que esgotou em outubro do ano passado).

"Os meus concertos não precisam de uma produção especial porque as pessoas vão ouvir as canções. O meu concerto quase podia ser só a preto e branco, porque a música fala por si".

O Grammy de Excelência Musical premeia artistas com contribuições de significado artístico excecional para a música latina. Como justificava o júri da Academia que lhe atribuiu o prémio, "José Cid adaptou sem esforço a influência da música popular anglo-saxónica ao estilo original do pop-rock português".

"Este é o prémio mais importante em pouco mais de 50 anos de carreira como músico e poeta, um reconhecimento que o público nunca me negou. Antes pelo contrário. Estou também feliz porque o pop-rock português, sempre tão impossibilitado de atravessar fronteiras, é reconhecido a este nível", disse José Cid.