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Circo contemporâneo invade espaço público de quatro cidades

Circo contemporâneo invade espaço público de quatro cidades

Festival Vaudeville Rendez-Vous volta a Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães entre 18 e 23 de julho. Há 11 espetáculos para ver.

A pandemia obrigou as pessoas a fecharem-se em casa. A guerra na Ucrânia leva, diariamente, dezenas de mulheres e crianças a procurarem abrigos. Num tempo em que circular na rua pode representar um risco em várias latitudes do Mundo, o Teatro Didascália regressa às cidades do Quadrilátero Urbano com o festival Vaudeville Rendez-Vous, entre 18 e 23 de julho, para mostrar "o privilégio que é estarmos numa sociedade livre", afirma o programador Bruno Martins.

A oitava edição chega com 11 propostas de circo contemporâneo, com cinco estreias nacionais e duas coproduções. Os malabaristas da companhia francesa Collectif Protocole são os primeiros a explorar o espaço público, com uma viagem performativa de quatro dias que arrancará a 20 de julho, em Barcelos, passando depois por Braga, Guimarães e Vila Nova de Famalicão. "Serão performances inusitadas em diferentes locais e, no final do dia, propõem um percurso com o público urbano", adianta Bruno Martins.

Em estreia nacional estará, também, os catalães Os Galindos, com a "Mort de riure", uma crónica do quotidiano e da própria condição dos palhaços, "uma espécie de seres que ficam à margem de tudo", classifica Bruno Martins. A Praça D. Maria II, em Famalicão, recebe o primeiro espetáculo, a 21 de julho, seguindo para Braga e Barcelos.

O palhaço português Rui Paixão junta-se à festa, com "Kinski". Abdica das ruas históricas das cidades, o grande palco do festival, para ocupar a Escola de Artes Visuais do Teatro Jordão, em Guimarães, dia 21, e o Mosteiro de Tibães (Braga) e Teatro Gil Vicente (Barcelos) dois dias depois.

Voltando ao universo francês, destaque para a criação da companhia MCDF, que traz "um mundo cor-de-rosa" com "The good place", diz Bruno Martins. Vão montar a tenda em Famalicão (20 de julho) e em Guimarães (dia 23) e pôr o público a observar obscenidades do mundo.

Na mesma língua, a companhia TBTF traz "Mellow yellow" para olharmos, também, para a vida quotidiana. Já o coletivo Jupon recorre ao mastro chinês para um espetáculo "poético", classifica o programador.

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Pelo Vaudeville Rendez-Vous passarão, ainda, criações dos coletivos portugueses Erva Daninha e Quando Sais à Rua. Em coprodução, a programação soma uma criação de Alan Sencades, com música ao vivo de Bárbara Lopes, e uma reflexão sobre a vida nómada dos artistas de circo, com a companhia Oliveira & Bachtler.

Turismo e património

"Cada espetáculo observa temas fraturantes", resumiu a vereadora da Cultura da Câmara de Barcelos, Maria Elisa Braga, apontando a importância do festival na "valorização do património instalado". Uma opinião comum aos responsáveis autárquicos das restantes cidades do Quadrilátero, que veem aqui uma oportunidade para a "promoção turística" numa época de grande afluência de visitantes.

Em Famalicão, onde o festival nasceu, os espetáculos vão estrear um espaço público da cidade, recentemente requalificado, frisou o vereador Pedro Oliveira, reconhecendo que a descentralização da programação para outros concelhos "deu escala" ao projeto organizado pelo Teatro Didascália.

Oficinas de criação e masterclass para vários públicos

Os espetáculos do Vaudeville Rendez-Vous arrancam a 20 de julho mas dois dias antes o circo contemporâneo já começa a mexer com as cidades de Barcelos, Braga, Famalicão e Guimarães através das oficinas de criação dirigidas ao público em geral. Já a pensar em estudantes e profissionais da área, a companhia catalã Os Galindos vai assumir uma masterclass no Parque da Devesa, em Famalicão. O Teatro da Escola Sá de Miranda, em Braga, acolhe uma sessão de pitching com programadores nacionais e internacionais.

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