Coleção Berardo

Como inaugurar uma exposição num museu fechado e sem público?

Como inaugurar uma exposição num museu fechado e sem público?

O Museu Coleção Berardo, em Lisboa, inaugurou, esta quarta-feira, a exposição do britânico Julian Opie, artista por excelência da escultura em movimento.

A inauguração da mostra "Julian Opie, Obras Inéditas", patente no Museu Coleção Berardo, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, aconteceu esta quarta-feira, às 19 horas, à porta fechada mas aberta no mundo virtual, devido ao Covid-19 . A visita guiada, feita pelo próprio artista, foi transmitida nas redes sociais do museu, no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

Julian Opie é um artista britânico de 62 anos, conhecido pela representação dos seus retratos, figuras e paisagens, estilizados e pintados com cores fortes e com os corpos contornados por traços negros e espessos numa linguagem assumidamente contemporânea.

Na visita guiada, em que esteve acompanhado por Rita Lougares, diretora do museu, assumiu o seu interesse pela observação do meio que o rodeia.

"É como se fosse o jardim da minha casa", explica enquanto aponta para uma série de esculturas estilizadas de vários animais. "Este, por exemplo, é o meu próprio gato." O seu interesse pela natureza, pela forma como as pessoas interagem socialmente, como se movem quanto praticam jogging ou quando caminham apressadas para o emprego, está bem representado nos trabalhos desta exposição.

"Retiro detalhes por forma a trazer à tona a sua essência", explica. Recorrendo ao vídeo, às novas tecnologias, o artista reconhece que os seus temas se interligam muitas vezes com a história de arte e que se inspira na linguagem dos símbolos.

"Misturar o real com o virtual"

"Há uma variedade de logótipos com que identificamos o que se pretende dizer", explica apontando para o sinal da presença de um extintor patente na própria sala de exposição.

Os sinais de trânsito, como aqueles que são usados para identificar, por exemplo, as casas de banho em locais públicos, são para Julian Opie, uma fonte de inspiração. Mas não só. Os frisos do antigo Egito são glosados num friso led, ali podem observar-se vários pombos em movimento debicando o chão, interagindo uns com os outros.

"Gosto desta ideia de misturar o real com o virtual", afirmou. E explicou que, para capturar os movimentos das aves, criou uma plataforma e filmou-as a caminhar sobre ela. Mas são os retratos e figuras animadas, caminhando em diversas situações, que preenchem grande parte da mostra. Para tal, o artista recorreu a familiares - a sua filha, por exemplo, surge num desses trabalhos - e a amigos, para que caminhassem. A ideia era captar a essência desses movimentos.

"Mostrar pessoas a correr dá uma hipótese de se desacelerar. Temos que parar para ver estes trabalhos". Os desenhos depurados e estilizados, aparentemente simples, são na verdade complexos. As cores fortes que Julian Opie usa servem para isso mesmo, para que se descubra a complexidade criativa da sua arte.

Uma surpresa para os visitantes

Para a exposição no Museu Coleção Berardo, o artista reservou ainda uma surpresa aos visitantes.

Na última sala do percurso, há uma série de 14 painéis gigantes, a preto e branco, representando outras tantas diferentes torres. "Há um ano, quando fui convidado para expor aqui, percorri um pouco o país e fotografei torres de igrejas. A forma como as represento (os painéis movem-se em torno do visitante ao som de uma banda sonora de sinos) serve para chamar a atenção para o facto de estarmos rodeados de arte."

A exposição ficará patente até ao dia 30 de agosto. Atualmente, o Museu Coleção Berardo, a exemplo de todos os outros, encontra-se encerrado ao público devido à pandemia do coronavírus.

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