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Como os Stooges ajudaram a apagar a memória dos anos 1960

Como os Stooges ajudaram a apagar a memória dos anos 1960

"Gimme danger", documentário de Jim Jarmusch agora transmitido pela RTP, traça a história explosiva dos The Stooges, liderados pelo carismático Iggy Pop.

Foram uma autêntica carga de profundidade. Inventaram novos caminhos para o rock e trouxeram-lhe a atitude visceral até então desconhecida. Mas foram precisos quase 30 anos até que o impacto dos The Stooges fosse totalmente ouvido. Até que se tornassem a "maior banda de rock"n"roll de sempre". É assim que os classifica Jim Jarmusch, autor de "Gimme danger", documentário que estreou no Festival de Cannes, em 2016, e que pode agora ser visto na RTP 2.

Formados em 1967 em Ann Arbor, nos EUA, por James Newell Osterberg Jr., que iniciara a carreira como baterista dos The Iguanas, donde retirou o seu nome artístico - Iggy Pop -, e que resolveu cantar porque se cansara de "olhar para rabos", os The Stooges celebrizaram-se por concertos selvagens onde acontecia de tudo: arremesso de objetos para o palco, insultos, recintos destruídos, intervenções da polícia e um performer desvairado, que se lançava para cima do público (e partia dentes) - estava inventado o "stage diving".

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Recorrendo a filmagens da época, algumas bastante raras, depoimentos dos músicos e imagens que vão compondo o espírito e as referências dos The Stooges, o filme de Jarmusch acompanha a fase inicial da banda, donde germinam três álbuns seminais - "The Stooges", "Fun house" e "Raw power" -; enquadra o meio artístico em que se movem, convocando figuras como Nico, Andy Warhol ou David Bowie; dá conta do declínio, motivado pela adição a drogas (e acidentes conexos) e pela debulhadora da indústria musical ("Já nem sabíamos com quem tínhamos assinado contrato", diz Iggy); e culmina com a reunião da banda, a partir de 2003, quando são já lendárias as suas músicas e personas.

Partindo de letras que não ultrapassavam as 25 palavras ("nunca me achei um Bob Dylan") e de um som cru e desbragado, mas que nunca foi simples - tanto bebiam de James Brown e Miles Davis, como de MC 5 e The Velvet Underground, o seu legado estendeu-se do punk aos Nirvana, e teve como principal efeito, segundo o vocalista, "ajudar a apagar a memória dos anos 1960".

"Gimme danger"

Jim Jarmusch

2016

RTP

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