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Concertos cancelados lesam produtoras

Concertos cancelados lesam produtoras

O cancelamento de um espetáculo pode traduzir-se em milhares de euros de prejuízos para as produtoras que os organizam, sobretudo com despesas de comunicação, alojamento e transporte.

Na maioria dos casos, quem comprou bilhete acaba reembolsado. Dos oito concertos que tinha agendado para o Coliseu de Lisboa, Madonna cancelou dois por problemas num joelho. Ontem já atuou e quem já tinha comprado bilhetes para as datas canceladas vai ser reembolsado. Mas se a restituição do valor do bilhete foi garantida pela produtora Everything is New, nas redes sociais também não faltam casos de quem já tinha agendado hotel ou viagem para aqueles dias e agora fica sem o dinheiro.

De acordo com a lei, a única verba que as produtoras estão obrigadas a reembolsar é a do bilhete, e nem sempre. A restituição é possível quando o espetáculo "não possa ser exibido no local, data e hora marcados" e sempre que haja "substituição do programa ou dos artistas principais".

A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) esclarece que num festival de verão, por exemplo, a devolução é possível quando um dos artistas "cancela a sua atuação no palco principal, mesmo que não seja cabeça de cartaz". No entanto, alerta a DECO, esta "não é uma solução consensual" entre produtores, como se constata pelo verso dos bilhetes de espetáculos ao ar livre, onde se lê que o cancelamento "não obriga o promotor a restituir o valor".

Vários cancelamentos

Jorge Lopes, da PEV Entertainment e presidente da APEFE, uma das associações do setor, assegura que "a produtora perde sempre dinheiro", pois em quase todos os casos há prejuízos "associados à promoção do evento", como publicidades pagas e o tempo despendido na divulgação. A fatura pode ser maior quando é alugado um espaço para um concerto só ou quando há voos e alojamento não reembolsáveis.

O JN tentou, sem sucesso, contactar a Everything is New, para perceber o montante do prejuízo associado aos cancelamentos de Madonna. No caso dos concertos de grande envergadura, os produtores contactados pelo JN asseguram que quase sempre os prejuízos chegam aos milhares de euros. E não faltam casos de concertos cancelados em 2019, como Snow Patrol (Meo Marés Vivas) ou Björk (Vodafone Paredes de Coura), em que o valor do bilhete foi devolvido a quem quis.

Lesão num joelho já comprometeu espetáculos em três cidades

De bengala, a subir escadas e a dançar com visíveis dificuldades. É assim que Madonna se apresenta num vídeo publicado no Instagram na terça-feira. Uma recaída na lesão de um joelho, contraída em outubro passado, está na base dos cancelamentos de Lisboa e parece ser o principal entrave ao sucesso da digressão Madame X, que a rainha da pop arriscou fazer com dezenas de concertos repletos de coreografias arriscadas aos 61 anos. Em outubro, já cancelara concertos em Nova Iorque e, em dezembro, cancelou Boston. "Tenho de ouvir o meu corpo e descansar", justificou.

Pedir a devolução
Por regra, a devolução do valor do bilhete é pedida no ponto de venda onde o ingresso foi adquirido. No caso de compra online, a indicação de reembolso com as instruções é recebida via e-mail.

Reclamar ao IGAC
As reclamações por problemas relacionados com a devolução do valor dos bilhetes devem ser remetidas à Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC). Em alternativa, pode pedir o livro de reclamações.

Um mês para devolver
A devolução do valor dos bilhetes comprados para um espetáculo cancelado é feita num prazo máximo de 30 dias a contar da data anteriormente agendada para a realização do evento.

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