Carvalho da Silva

Conselho Editorial do JN elogia dimensão humana de Manuel António Pina

Conselho Editorial do JN elogia dimensão humana de Manuel António Pina

Manuel António Pina, "um desconstrutor de inevitabilidades e de crenças balofas", segundo Manuel Carvalho da Silva, era o cronista, o escritor, o jornalista e o homem "que tinha a palavra final", argumenta o empresário Manuel Serrão. "Solidário e exigente", acrecenta António Marques, "frontal e sem pejo de escrever ou falar", na opinião de Alberto Castro.

"Tinha uma palavra final muito apreciada que eu também não dispensava", revela Manuel Serrão. Empresário, comentador desportivo, e cronista do Jornal de Notícias, considera Manuel António Pina "uma voz que vai fazer falta ao JN".

"Naturalmente que a família e os amigos vão sentir mais a sua falta, mas todos vamos sentir também a falta das sua palavras, o que é um sinal de que enquanto ser humano conseguiu ser maior e destacar-se, precisamente pela força das sua palavras", diz Manuel Serrão, membro do Conselho Editorial do JN.

Leitor habitual das palavras e Manuel António Pina, Manuel Serrão recorda "algumas polémicas, até processos", que lhe valeram algumas das crónicas. "Nunca foi condenado, sinal de que teve sempre razão", acrescentou.

"Precisávamos do seu aviso", considera Cristina Azevedo

Cristina Azevedo diz que o desaparecimento de Manuel António Pina lhe deixa "a sensação de uma ausência que é hoje especialmente dolorosa".

A antiga presidente da Fundação Cidade de Guimarães considera que hoje, e mais do que nunca, "precisávamos do seu aviso, da sua imensa cultura, da sua simplicidade, da sua ironia, do seu respeito pelas pequenas coisas da vida, de que falava como quem dava brilho ao seu semelhante, todos os dias. Com o afeto de uma festa aos seus adorados gatos".

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"Solidário e exigente e sempre muito próximo do outro"

"É sempre um momento de grande pesar quando um cidadão com a dimensão que Manuel António Pina desaparece", comentou António Marques, presidente da Associação Industrial do Minho. Ficamos sempre consternados com uma notícia destas", acrescentou.

"Recordo a forma positiva e resistente como encarava a vida, solidário e exigente e sempre muito próximo do outro", disse António Marques, que também faz parte do Conselho Editorial do JN.

Reininho teve oportunidade de se despedir

Rui Reininho reconhece o egoísmo de quem apreciava a escrita, o humor a ironia de Manuel António Pina. "A parte que nos interessa a nós vai continuar e vai ficar", comentou o músico.

"Perde-se a parte que é a mais importante, a do homem, junto das pessoas que amou e que o amaram", lamentou Rui Reininho. "Tive oportunidade de me despedir dele", acrescentou o vocalista da banda GNR.

"Um desconstrutor de inevitabilidades e de crenças balofas"

Manuel Carvalho da Silva vai além do "lugar comum dizer que se perdeu um grande jornalista e um grande escritor, com uma prosa e poesia ímpar em muitos aspetos", para falar de Manuel António Pina, o cronista que era "um desconstrutor de inevitabilidades e de crenças balofas, um defensor de um futuro pela razão e pelos valores sociais e humanos".

Sociólgo, ex-líder da CGTP e membro do Conselho Editorial do JN, considera Manuel António Pina "um ser humano e um escritor em crescimento, que nos traz sempre qualquer coisa de novo", na poesia, na prosa e nas crónicas diárias que assinava no Jornal de Notícias.

"Nestes tempos de crise em que vivemos, era das pessoas em Portugal que melhor denunciava a malvadez difusa que impera na sociedade", observa Carvalho da Silva. "Não há muitos portugueses com a percepção de Manuel António Pina de que o futuro existe e que não pode estar condenado a esta inevitabilidade", acrescentou.

Manuel António Pina era um jornalista e um escritor "com m sólido pensamento progressista, de uma dimensão cultural muito grande, sustentada numa identificação com o ser humano", observou Manuel Carvalho da Silva. "Dispunha de uma grande inteligência, uma grande ironia, e escrevia sempre com grande honestidade", acrescentou.

"Era um daqueles seres humanos com capacidades únicas para nos fazer assentar os pés na terra e levar-nos a pensar o futuro pela razão e pelos valores", acrescentou Manuel Carvalho da Silva, sustentando que se perdeu "uma grande referência das pessoas do norte, que tinha uma escrita reconhecida e apreciada a todos os níveis da sociedade portuguesa".

A "ausência tornou-se irremediável"

"Há muito tempo que sentíamos a sua falta naquela discreta coluna da última página do Jornal de Notícias, da lucidez do sue pensamento, da acidez da sua crítica, dessa escrita singular que tão prodigiosamente combinava o rigor do juízo com a graça da palavra. Agora, a sua ausência tornou-se irremediável", escreveu Pedro Bacelar de Vasconcelos.

"Para todos nós que continuamos a escrever neste jornal cujas páginas com ele partilhávamos como um verdadeiro privilégio, nada pode amenizar esta perda... Excepto persistir, pela escrita, na busca sempre insatisfeita da exemplaridade que soube inscrever na nosso melhor imprensa e que generosamente nos legou", acrescentou Bacelar de Vasconcelos, também membro do Conselho Editorial do JN.

"Frontal e sem pejo de escrever o que pensava"

Alberto Castro, professor universitário, considera que " um cidadão com opinião formada faz sempre falta". Manuel António Pina "era frontal e não tinha pejo de falar e escrever sobre o que pensava", acrescentou.

"Apreciava o Manuel António Pina pela sua cultura muito vasta, como poeta e como cronista. E pela frontalidade, apesar de nem sempre estar de acordo com ele", disse Alberto Castro, considerando que "é sempre uma perda o desaparecimento de um homem de cultura, um poeta."

Purificação Tavares destaca a obra poética

Purificação Tavares, presidente do Centro de genética Clínica, centra-se na obra do escritor. "É um dos poetas que mais gosto e cujas poesias tenho mais próximas", disse.

"O que melhor conheço é o conteúdo poético e as lindas poesias que são as que mais trago comigo", acrescenta Purificação Tavares, que também faz parte do Conselho Editorial do JN.

"Nada pode amenizar esta perda"

Para Pedro Bacelar Vasconcelos, a ausência, nos últimos meses, da crónica diária de Pina publicada no JN, e da "da lucidez do seu pensamento, da acidez da sua crítica, dessa escrita singular que tão prodigiosamente combinava o rigor do juízo com a graça da palavra" já era muito notada. "Agora, a sua ausência tornou-se irremediável", diz o cronista do JN e professor universitário. "Para todos nós que continuamos a escrever neste jornal cujas páginas com ele partilhávamos como um verdadeiro privilégio, nada pode amenizar esta perda... Excepto persistir, pela escrita, na busca sempre insatisfeita da exemplaridade que soube inscrever na nosso melhor imprensa e que generosamente nos legou", conclui.

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