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Cornudos, peludos e palha pelos ares

Cornudos, peludos e palha pelos ares

Festa do Outono regressou a Serralves este sábado e encheu-se com muitas famílias saudosas da tradição após hiato pandémico de dois anos

Logo na abertura da Festa do Outono, em Serralves, a polémica instalou-se. Sebastião, "um pré-adolescente" com dentes de leite, estava indignado com o facto de ter uma pulseira vermelha com o nome e telemóvel da mãe e a mãe não ter que usar uma. A assistente tentava explicar, pacientemente, que se a mãe se perdesse não poderiam ligar para ele. Assertivamente concluiu a falta de empenho da organização que lhe devia dar à entrada um telemóvel, caso a progenitora andasse ali pelo Prado perdida.

Chegados a um impasse, Sebastião arranca de supetão Prado afora. "Um careto, eu quero uma foto com o careto". A mãe, perigosamente não identificada, corre atrás, enquanto tenta tirar o telemóvel da carteira, numa inusitada perseguição. Ciente da gritaria, o careto começa a andar na direção deles.

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Trava a fundo. "Ahhhh, mas este é cornudo". Rapidamente invertem-se as direções: o careto corre para Sebastião, Sebastião corre para a mãe. A mãe explica: "Estes são de Lazarim, filho, são cornudos, mas são amigos". Recusa-se terminantemente: "Eu só gosto dos de Podence".

O careto com uma fila de outros pequenos fãs, não se deixa abalar pela má imprensa. Prova do afeto que desperta, numa piscina de palha, uma pequena tenta recriar, no irmão bebé, um careto, atando-lhe molhinhos de palha com fios, enquanto as outras crianças fazem coroas.

É a Festa de Outono, feira de tradições do equinócio cheia de atividades culturais, que ontem abriu e hoje continua, em Serralves, entre as 10 e as 19 horas. A entrada é livre.

Quem é Carolina Bianchi?
Carminho tem seis anos, a última vez que foi à Festa do Outono tinha três, explica ao JN. "Não me lembro de nada, só da casa dos Três Porquinhos, temos uma foto no frigorífico". Os pais fazem o remake rápido e a tempo de assistirem ao Teatro Tuk Tuk.

Na Clareira, "O vaqueiro que não mentia" reúne mais de uma centena de pessoas. Bianca já viu o espetáculo e insiste em fazer spoiler : "Agora vai aparecer o boi, e depois o Juvenal vai ver a filha do rei". O narrador pede: "Portugueses, por favor, ponham o braço no ar. Muitos parabéns, vocês são a imensa minoria", constata o narrador, que é brasileiro.

Na Casa do Cinema, Lilly foi com os pais assistir ao Cinemini, programação de cinema estreante: "Eu gostei muito, mas o mais fixe é estar lá em baixo nos animais, mas não consegui entrar nos burros". Os burros de Miranda, que se pode mimar e pentear, são os mais pretendidos, mas 16 participantes por hora é insuficiente para o número de pretendentes. Como consolo, o porco, as galinhas, as éguas e as ovelhas - que tiveram "o cabelo fofo cortado para fazer tapetes" são excelentes.

Maria não quer pintar no único cavalete livre do Prado, tem escrito Carolina Bianchi a letras garrafais. "Não vou pintar num sítio de outra menina". A outra menina deve ser bem mais territorial e gravou o seu nome, ainda que já ninguém a aviste.

Em frente à Casa de Serralves uma senhora insiste em fazer um tik tok, com um copo de gin na mão, protesta com a amiga, repetem os takes. Até à exaustão, até à perfeição.

Pedrinho está confuso. "Onde está a aranha gigante?". É a escultura "Maman", de Louise Bourgeois, que já não habita no Parque.

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