O Jogo ao Vivo

Estado de emergência

Cultura fora das exceções gera confusão e ansiedade

Cultura fora das exceções gera confusão e ansiedade

Não serão permitidas deslocações para assistir a espetáculos culturais durante o recolher obrigatório. Setor queixa-se de incerteza permanente.

"Nós vamos todos morrer, mas vamos morrer de pé, porque temos uma resiliência extraordinária. Mas fomos o setor mais afetado de todos", avalia ao JN Álvaro Covões, dono da produtora Everything Is New e um dos mais importantes empresários de cultura em Portugal, perante a decisão de o Governo sobre o recolher obrigatório que abrange os dois próximos fins de semana.

Se, na terça-feira, os teatros e as salas de espetáculos se tinham unido em torno da campanha "Continuamos abertos, fechamos mais cedo", adaptando horários de forma a cumprir as exigências pandémicas, ontem voltaram à incerteza. O decreto que regulamenta o estado de emergência e o recolher obrigatório não prevê exceções para portadores de bilhetes para espetáculos, deixando promotores e artistas com salas vazias nesses dias fundamentais para a cultura.

"Toda a gente sabe que o setor cultural, os museus e os teatros vivem do fim de semana e agora vão ficar sem público", acrescenta Álvaro Covões. Uma preocupação partilhada por Rui Galveias, do Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, Audiovisual e Músicos (Cena-STE): "A limitação faz com que os espetáculos deixem de fazer sentido, porque as pessoas não vêm até nós" , diz o sindicalista ao JN, traçando o cenário negro que se adivinha.

Ontem, a confusão estava instalada entre os agentes culturais e ainda havia quem esperasse uma exceção para a cultura, que não aconteceu. As instituições e programadores contactados pelo JN remeteram para esta segunda-feira informações sobre eventuais reagendamentos e cancelamentos. "Isto causa uma ansiedade e uma incerteza muito difícil de gerir a quem trabalha na cultura", explica Amarilis Felizes, da Plateia - Associação de Profissionais das Artes Cénicas.

Rui Galveias alinha com a a sua congénere e garante que "o setor está perante uma incapacidade absoluta para trabalhar". "Independentemente do fecho dos espaços culturais, porque não somos especialistas em saúde pública, fomos os primeiros a ser afetados e nunca conseguimos uma recuperação total, porque as pessoas não aderem e não tem a mesma participação de antes", sublinha Amarilis Felizes .

PUB

O Cena-STE promove esta segunda-feira, às 15.30 horas, a concentração "Nem Parados Nem Calados", em frente à Assembleia da República, em Lisboa, onde estará em discussão o Orçamento do Estado para a Cultura.

Campanha ao mais alto nível foi insuficiente

O apelo público veio das mais altas instâncias nacionais: Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Graça Freitas incitaram as pessoas a frequentarem os eventos culturais, garantindo que são seguros. Mas o setor garante que não foram suficientes para trazer mais público.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG