Cultura

Cupidos modernos

Quando o amor acontece com a ajuda de agências matrimoniais e sites.

v António e Marta Pimenta de Brito, 34 e 35 anos, são os promotores do novíssimo "Dates Católicos". Não se conheceram na Internet, mas também precisaram de ajuda para se encontrar, no caso uma amiga em comum. O objetivo do seu site, projeto originário da Alemanha, explica o gestor e professor universitário, é juntar "pessoas que querem encontrar a cara-metade, alguém com quem partilhem uma série de valores". Católicos.

"Somos um país católico e não existia nada do género para católicos", continua. Quem se inscreve é convidado a preencher um perfil e a expor aquilo que procura no outro. Para além do matchmaking, o site, que só aceita "maiores de 18 anos, católicos e interessados em casar-se pela igreja", tem um fórum de discussão e promove eventos no mundo real, como um "retiro anual" ou concertos.

Jorge Cerqueira, 38 anos, é emigrante em Inglaterra, trabalha numa produção de morangos. Conheceu Telma Cerqueira, técnica de enfermagem, 37 anos, no site "Brazil Cupid". "Começámos a falar pelo Skype, MSN e através de telefonemas. Em setembro de 2009, uma amiga da Telma, que mora cá, foi de férias ao Brasil e convidou-a a passar férias em Inglaterra. Foi amor à primeira vista. Ela acabou por não voltar ao Brasil e começámos a namorar, depois ficámos noivos e casámos. Hoje temos um filho com oito meses, o Rafael, e não podíamos estar mais felizes. Estamos juntos há seis anos", conta ao JN Jorge.

Romana Naruna, jornalista, 26 anos, também deixou o Brasil por amor. Está desde 2012 no Porto, onde deu continuidade à relação iniciada online, no mesmo "Brazil Cupid", com José Silva, auxiliar administrativo, 38 anos. "Costumo dizer que o nosso segundo encontro offline já foi para a vida", conta. É que, depois de muito namoro online, José chegou a ir ao seu encontro ao Nordeste brasileiro. Esteve lá 15 dias. Depois, só se voltaram a ver na Invicta. Hoje, têm uma menina de três anos e Romana está "grávida outra vez".

Já Maria Clotilde Mestrinho e António Albuquerque, 64 e 74 anos, respetivamente, recorreram a uma agência matrimonial, a "Amore Nostrum", para encontrar "uma companhia". "Fiquei viúva com 32 anos, com duas filhas, e entendi que não queria dar-lhes um padrasto. Vivi sempre para elas e depois para elas e para os meus genros e para os meus netos", conta Clotilde, "alfacinha" que se interessou assim que lhe falaram do viúvo "fada do lar". Ele também tinha os filhos mais do que criados, já tinha netos, e passara sete anos a tratar da mulher, falecida em 2011. O nervoso miudinho tomou conta de António quando, em agosto do ano passado, conheceu Clotilde na instalações da agência, em Lisboa. Ofereceu-lhe flores e os dois saíram de mãos dadas, para almoçar ali perto. Dois dias depois, o serrano - que é natural de Seia, na serra da Estrela, mas vivia na Charneca da Caparica - mudou-se para casa de Clotilde. Desde então que os dois têm feito por recuperar o tempo perdido. Já fizeram férias juntos, passeiam sempre que podem e almoçam fora "quase todos os fins de semana".

"Já não posso viver sem ele. As minhas filhas também não!", conta Clotilde. v

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1 Romana Naruna e José Silva namoraram durante um ano na Internet. Encontraram-se duas vezes, à segunda foi para à vida

2 António e Maria Clotilde tentam recuperar o tempo perdido desde que se conheceram, através da Amore Nostrum, em agosto de 2014

3 Marta e António Pimenta de Brito lançaram no passado dia 22 de outubro um novo site de encontros... para católicos, o "datescatolicos.org"

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