Reportagem

Dançar não é fácil. Requer persistência e versatilidade

Dançar não é fácil. Requer persistência e versatilidade

Companhia Nacional de Bailado está no Teatro Rivoli até domingo com o programa "Noite Branca". Esta sexta-feira abriu ensaio às escolas.

"Quem é que aqui é aluno de dança? Quem é que dança? Mãos no ar por favor", interroga Carlos Prado, diretor artístico da Companhia Nacional de Bailado (CNB), a plateia presente no ensaio aberto da sua companhia, no Teatro Rivoli, no Porto. Logo um mar de braços se ergue da plateia, com escassas clareiras.

O fenómeno do sucesso da CNB no Porto passa muito pelas escolas de dança, confirma ao JN Jonathan da Costa, da equipa de mediação cultural daquele teatro. "Enviámos a proposta às escolas de dança e depois segue um processo bastante democrático: os primeiros a responder conseguem participar. A atividade da CNB teve muitas inscrições, não conseguimos acolher todas."

Esta sexta-feira à tarde, na plateia, estiveram presentes seis escolas de dança da zona norte, às quais se juntaram a Escola Secundária Aurélia de Sousa e um grupo de séniores do Espaço T.

A organização impressiona. À entrada de cada grupo, em fila, muitos com equipamentos com os logótipos das escolas, fazem-se apenas pausa para assinalar poses com v de vitória para as fotos.

Os alunos de dança discutem os seus favoritos. Uma garantia, entre saltos: "Eu só quero ver o Pinillos". Uma outra, com orelhas de gato e cabelo rosa, preferia interrogar os colegas sobre o "conjunto escultórico" do lobby do Rivoli. Alheios às conversações e preferindo ver para crer, o grupo do Espaço T prefere tomar café.

Dentro da sala, Carlos Prado, mestre de cerimónias, fura o silêncio sepulcral. "O que vão ver neste programa é uma qualidade de quem estuda dança: versatilidade. Apresentamos três peças: uma tecnicamente muito difícil para as bailarinas, de um senhor que foi o fundador do New York City Ballet, George Balanchine; um pas-de-deux muito virtuoso; e uma peça, "Snow", criada o ano passado por um coreógrafo português que vive em Bruxelas, Luís Marrafa, só com homens". O ensaio aberto mostrou apenas "Snow".

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Para os que não estão familiarizados com a dança, a estranheza brota das roupas dos bailarinos ("parecem sem abrigo") e das onomatopeias que usam ("tsss, ca, da"), que alguns memorizam nos telemóveis. Começa o ensaio, com as diretrizes do ensaiador, e a plateia fica rendida aos bailarinos. O mesmo não acontece com Prado, que os obriga a repetir, várias vezes, uma sequência.

No fim, pergunta aos espectadores se lhes parecia melhor. Aprovação dada, o ensaio prossegue entre aplausos. Miguel Ramalho é o novo favorito da fã de Pinillos, pelo menos esta tarde. Na dança como na vida é preciso persistir.

No intervalo do ensaio, Carlos Prado referiu que "este projeto da CNB tem funcionado muito bem. É importante que as escolas percebam que é necessária muita persistência até que as coisas fiquem bem. Não queremos mostrar ao público apenas o produto final, é muito importante que entendam o processo e como se chega até ao resultado". Sobre as vindas da CNB ao Porto, o diretor respondeu que "gostaria de vir mais vezes. A cidade do Porto tem uma grande tradição de dança". E acrescenta, como curiosidade: "Eu próprio já dancei neste teatro com a CNB em 84,85 e 86 e depois regressei como bailarino do Ballet Gulbenkian".

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