Fórum do Futuro

De Fernão Magalhães aos desafios do futuro

De Fernão Magalhães aos desafios do futuro

A sexta edição do Fórum do Futuro arranca este domingo, no Teatro Rivoli, no Porto. "Travessias" é o tema deste ano. Chimamanda Ngozi Adichie é a primeira oradora.

A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, considerada pela revista "Time" uma das "100 pessoas mais influentes do Mundo", será hoje a protagonista, no Teatro Rivoli, do primeiro debate da sexta edição do Fórum do Futuro, "festival de ideias" promovido pela Câmara do Porto que se realiza em vários locais da cidade até ao próximo sábado, dia 9.

Assinalando os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães e Juan Sebastián Elcano, o certame adotou o tema "Travessias" para explorar os múltiplos efeitos desse acontecimento a nível histórico, político e cultural. Tal como nas edições passadas, a abordagem será multidisciplinar, cruzando saberes e práticas de cientistas, filósofos, artistas e ativistas, num total de 52 convidados de 14 países que a partir de conceitos como "alteridade", "apropriação" e "extração" irão apresentar-se em debates, performances e exposições.

Com coordenação de Guilherme Blanc, diretor para a Arte Contemporânea e Cinema da empresa municipal Ágora, e uma equipa de curadores constituída por Filipa Ramos, Gareth Evans e John Akomfrah, o Fórum do Futuro começará por ouvir a multipremiada escritora africana, que falará sobre a forma como o "racismo ainda opera a partir de um discurso único, latente e perigoso".

Outros oradores ilustres são Danny Glover, ator e ativista (conhecido pelos filmes "Arma Mortífera" ou "A cor púrpura") que participa num debate intitulado "Escravatura, justiça, reparações: a história por fechar" (dia 5); o arquiteto inglês natural da Tanzânia David Adjaye, responsável pelo projeto do National Museum of African American History and Culture, em Washington, que abordará "Identidades e Formas" (dia 9); e Vandana Shiva, cientista e ambientalista indiana, uma "heroína ecológica", diz a "Time", que irá dissertar sobre "Colonização, a nova como a antiga" (dia 7).

Refira-se ainda a presença de Sônia Guajajara, que habita nas matas da terra indígena Arariboia, no Brasil, e tem voz no Conselho de Direitos Humanos da ONU. Juntamente com o artista Ernesto Neto, irá debruçar-se sobre um tema urgente: "A luta pelo território e a destruição da Amazónia" (dia 5).