O Jogo ao Vivo

Companhia dos Livros

"Dicionário da erosão": um antídoto contra o ódio e a ignorância

"Dicionário da erosão": um antídoto contra o ódio e a ignorância

No livro "Dicionário da erosão", o escritor e editor John Freeman faz uma defesa firme do poder transformador da palavra escrita. Um manifesto cívico que é também um antídoto contra a intolerância que grassa cada vez mais.

Vivemos tempos, no mínimo, acalorados, já todos o sabemos demasiado bem, nos quais as vagas sucessivas de indignação efémera e estéril são um dos sintomas mais evidentes do profundo mal-estar que varre toda a sociedade.

Quer culpemos o nosso modo acelerado da vida, a falência dos valores ou os efeitos perniciosos das redes sociais, há uma evidência inescapável: o ruído permanente que caracteriza o nosso tempo - uma cacofonia intolerável que confunde informação e conhecimento, entre outras maleitas - é o inimigo maior do pensamento e, em última instância, da mudança que todos advogam, mas sempre começando pelos outros e nunca por si próprios.

O que John Freeman propõe no seu "Dicionário da erosão" é luminosamente simples: "E se nos afastarmos da luz trémula dos ecrãs? E se enfiarmos as mãos nos bolsos e as entrelaçarmos atrás das costas e aproveitarmos o ar ionizado à nossa volta?"

Em suma, parar para pensar e, através disso, repensar. Ideias, comportamentos, gestos, estereótipos.
Mas, para que tal se concretize, ou haja pelo menos uma tentativa de ser posto em prática, precisamos de conferir novos sentidos a palavras que foram tão gastas pelo uso quotidiano que acabaram por afastar-se do ideal que em tempos assumiram.

Neste dicionário sem pretensões de validade lexical que o fundador e editor da revista literária "Freeman"s" compilou, procura-se demonstrar que a linguagem pode ser um forte aliado da democracia. A começar, antes de mais, na desmontagem das teorias de propaganda e "fake news" veiculadas pelos líderes das diferentes fações (sejam de ordem política e religiosa ou de qualquer outra), através das quais tantos são manipulados sem que disso se apercebam.

A cidadania vigilante que o autor norte-americano advoga está fortemente representada nas palavras incluídas neste manifesto em prol da liberdade que o "Dicionário da erosão" acaba por ser. Prova-o a inclusão de "justiça", "decência" ou "esperança" no lote de palavras selecionadas. Mas há também vocábulos que aludem ao já citado desencanto com o estado atual do Mundo e que estiveram na origem da escrita do livro. Como "raiva", entendida como "uma necessidade de combustão" que precisa sempre "de alguma coisa ou alguém para queimar. Para destruir".

PUB

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG