1941-2022

Diretor-delegado da Fundação Casa de Mateus morre aos 80 anos

Diretor-delegado da Fundação Casa de Mateus morre aos 80 anos

Fernando de Albuquerque faleceu aos 80 anos. Presidente da República destacou uma "figura invulgar da cultura portuguesa".

O diretor-delegado da Fundação Casa de Mateus, Fernando de Sousa Botelho de Albuquerque, morreu na madrugada desta sexta-feira aos 80 anos, anunciou aquela instituição.

Em comunicado publicado no seu site, a Fundação Casa de Mateus retratou Fernando de Albuquerque como um "homem do seu tempo" que acompanhou "sempre de perto a reconstrução do Portugal democrático" ao leme da instituição.

Fernando de Albuquerque nasceu em Lisboa, a 4 de dezembro de 1941, tendo dedicado "grande parte da sua vida ao desenvolvimento do legado" do pai, fundador daquela instituição com sede em Vila Real.

A morte do diretor-delegado da fundação acontece pouco mais de um mês depois de ter sido distinguido com a Grã-Cruz da Ordem do Infante pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em 2011, a fundação tinha sido reconhecida com o grau de membro honorário da Ordem do Infante D. Henrique pelo então chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva.

De acordo com a Fundação Casa de Mateus, Fernando de Albuquerque deixou como "marcos de uma ação constante" os seminários Repensar Portugal, iniciados em 1978, a "transformação do panorama da música antiga em Portugal com a criação dos Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus, a instituição do Prémio D. Diniz, em 1980, a criação do Instituto Internacional Casa de Mateus, em conjunto com todas as Universidades e Academias Científicas portuguesas, em 1986, ou ainda a inauguração da Residência de Artistas, em 1998".

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Fernando de Albuquerque era graduado em Engenharia Química pelo Instituto Superior Técnico, diplomado em Indústria Alimentar pela Universidade de Louvain, na Bélgica, e foi professor assistente da Universidade de Luanda entre 1967 e 1970.

Atualmente, era presidente do conselho de administração da Lavradores de Feitoria.

O Presidente da República lamentou a morte de Fernando de Albuquerque, "figura invulgar da cultura portuguesa".

"É com profunda tristeza que recebo a inesperada notícia da morte de Fernando de Albuquerque. Sob sua orientação, a Fundação da Casa de Mateus tornou-se, nas últimas décadas, um exemplo admirável de abertura da sociedade civil às tarefas de serviço público na esfera do património, da cultura e do mecenato", lê-se numa nota publicada no sítio oficial da internet da Presidência da República.

"Vinda do interior de Portugal, de uma região tantas vezes esquecida, e de uma família que encarnou o mote 'noblesse oblige', a Fundação afirmou-se, apesar de todos os contratempos, como umas das nossas instituições mais coerentes e consequentes, com trabalho destacado nas áreas da música, das artes plásticas ou da literatura", refere-se ainda na nota do Palácio de Belém.

A ministra da Cultura, Graça Fonseca, lamentou "profundamente" a morte de Fernando de Albuquerque, destacando o legado da "maior importância e relevância na cultura portuguesa".

"A sua liderança permitiu que a Casa de Mateus se assumisse como epicentro de discussão e reflexão nas mais diversas dimensões da cultura portuguesa e, ao longo das décadas, a sua laboriosa ação permitiu a construção de redes e de parcerias de excelência a nível nacional e internacional", referiu, em comunicado, o ministério liderado por Graça Fonseca.

Salientou ainda que "Fernando de Albuquerque deixa um legado da maior importância e relevância na cultura portuguesa", sendo exemplo disso os "Encontros Internacionais de Música da Casa de Mateus e a instituição do Prémio D. Diniz, um dos mais prestigiados prémios literários portugueses, tendo no seu já longo historial de premiados nomes da maior relevância na literatura portuguesa contemporânea".

"À família e amigos enviam-se sentidas condolências", salienta.

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