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Disclosure encerraram 9.ª edição do Alive

Disclosure encerraram 9.ª edição do Alive

As batidas house dos Disclosure encerraram a 9.ª edição do NOS Alive, que ao longo de três dias reuniu 155 mil pessoas no Passeio Marítimo de Algés. Para o ano, o festival realiza-se nos dias 7, 8 e 9 de julho.

Estrearam-se no palco Clubbing do Alive em 2013, pisaram o palco principal do Super Bock Super Rock em 2014 e, este ano, foi-lhes concedida a honra de encerrar o palco nobre do festival no derradeiro adeus, até 2016. A dupla britânica Disclosure era um dos três destaques do terceiro e último dia do certame, ao lado de Chet Faker e Sam Smith - três apostas arrojadas da organização, que já os havia recebido nos palcos menores e que agora os promoveu ao principal.

A popularidade galopante dos irmãos Howard e Guy Lawrence está assente no seu único trabalho, "Settle" (2013), matéria-prima que fez com que a público se encaminhasse a todo a vapor para o palco NOS assim que soaram os primeiros acordes de "White Noise". Seguiu-se a celebrada "F For You" e uma enorme multidão - 52 mil pessoas, segundo a organização - que contrastava com as duas figuras em palco, cada uma isolada na sua ilha eletrónica. Ao fundo e nos ecrãs, jogos de luzes poderosos enquadravam cada canção e emprestavam ao recinto o ambiente de uma pista de dança.

A banda aproveitou a passagem por Portugal para antecipar algumas das canções que integrarão "Caracal", o novo disco que deverá ser lançado em setembro.

Antes, Chet Faker, o australiano de 27 anos que há uma semana esgotou duas vezes o Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O músico veio substituir a baixa do rapper belga Stromae - que se viu obrigado a cancelar a digressão por ter contraído malária - e foi uma escolha óbvia para a organização do festival.

"O Chet Faker foi dos artistas que mais rapidamente esgotou um coliseu. Só me lembro de algo assim há muitos anos, com os Radiohead", disse Álvaro Covões, promotor do festival, horas antes de o músico subir ao palco.

"Melt" e "No Diggity" foram as primeiras canções de um concerto que durou menos de uma hora, tempo suficiente para o público mostrar toda a devoção ao jovem artista. Acompanhado por um guitarrista e um baterista, Chet Faker concentra em si todas as atenções, num palco que poderia ser relativamente grande, mas que soube ocupar com sabedoria.

"Gold" "é aquela", ouve-se, aquela canção que todos parecem conhecer e entoar de peito cheio, braços no ar e arrebatamento certo. "Talk is Cheap" confirma-o. O músico está sozinho em palco, ao piano, iluminado por um ténue foco de luz, num ambiente intimista que a plateia abraça em coro, replicando "Talk is cheap, my darling/ When you're feeling right at home/ I wanna make you move with confidence/ I wanna be with you alone".

Com apenas um disco editado, "Built on Glass" (2014), Chet Faker parece já ter conquistado o seu lugar junto do público português.

No hiato entre Chet Faker e Disclosure, Azealia Banks mostrou toda a sua fibra do Harlem no palco Heineken. A rapper norte-americana que deu nas vistas com o EP "1991" veio apresentar o seu primeiro longa-duração, "Broke With Expensive Taste" (2014), e fez fervilhar a plateia, deixando as melhores recordações a quem ouviu a contagiante "212" nos últimos minutos do espetáculo.

Corações partidos ao alto com Sam Smith

Os desgostos amorosos são uma fonte de inspiração profícua, que o diga o britânico Sam Smith. Subiu ao palco principal do NOS Alive ao cair da noite e conquistou um público maioritariamente jovem, que se identifica com as letras melosas do cantor.

Sam Smith construiu o disco de estreia, "In the Lonely Hour" (2014), de coração partido e conquistou a crítica e o público com as suas canções pop doces e melancólicas. Para quem não estava a par, foi o próprio músico a contar a história, num dos muitos momentos confessionais que teve em palco.

"I'm Not The Only One" foi a primeira canção a ecoar no recinto, seguida de "Together" e de um "Ó meu deus, não vos consigo dizer como isto é tão espetacular para mim". Há dois anos em tournée, conforme explicou, garante que estes têm sido os melhores momentos da sua vida. E o brilhozinho nos olhos não deixa grande margem para dúvidas.

Em palco, faz-se acompanhar por uma banda competente que lhe aconchega a voz, e consegue reunir à sua volta uma moldura humana generosa e que a sabe as letras na ponta da língua.

Entre as muitas canções de sucesso do disco, como "Like I Can", "I've Told You Now" ou "Latch" - que partilha com os Disclosure, mas aqui apresentada em versão acústica -, Sam Smith aventurou-se num pequeno "medley" que confirma que é um rapaz romântico (como se dúvidas existissem). "Tears Dry On Their Own", de Amy Winehouse, colou-se a "Ain't No Mountain High Enough", de Marvin Gaye e Tammi Terrell, rematada com uma pitada colorida de "Le Freak", de Chic. Elvis Presley, o rei, também foi evocado em "Can't Help Falling in Love".

"La La La", do produtor Naughty Boy, é uma das muitas músicas a que Smith empresta a voz, e conseguiu agitar a multidão que pouco depois se derreteu por completo com "Stay With Me", uma despedida que terá deixado o público de coração cheio.

Sleaford Mods deslumbram com um irresistível hip hop punk rufia

O último dia foi também marcado pela atuação notável dos Sleaford Mods. Atuaram na tenda Heineken, ainda o sol brilhava no céu, e deram uma tremenda chapada a quem lá estava. Os Sleaford Mods são ingleses e apenas dois. Têm um ar rufia, de inglês que sai do pub zangado com o mundo e desata a mandar vir contra o sistema. Um traz um "laptop" com a base instrumental toda pré-gravada. Limita-se a carregar no play no início de cada faixa, não está ali com encenações nem a tentar endrominar o público a fazer de conta que toca alguma coisa - e há tanta gente que faz esse teatro hoje em dia. Fica atrás, de olhos esbugalhados, "cocainados", a dançar com um copo de cerveja na mão.

O outro, o cantor, é impressionante: dispara as palavras como se lhe saíssem das veias, por vezes num tom quase declamatório, sacode o tronco em desatino, protesta numa espécie de hip-hop punk nervoso, verdadeiro, honesto, sem rodriguinhos. No final, o mitra do laptop aproximou-se do microfone para pedir erva ao público, chateado por nada ter para fumar. Foi um concerto incrível e durante horas não se falou noutra coisa no recinto.

Os primeiros sons da tarde brotaram dos amplificadores dos That Rebellion, trupe lisboeta que integrou o cartaz do festival depois de ter vencido o concurso Hard Rock Rising. Deixaram amostras de rock vagamente grunge, coeso, sim, mas a precisar de identidade própria. Conseguiram levantar a plateia na reta final da atuação. Seguiu-se-lhes a pop eletrónica dos belgas Soldier's Heart, outros que ali compareceram como prémio por terem arrecadado o primeiro lugar de um concurso, neste caso o Termómetro Unplugged.

O NOS Alive regressa em 2016, nos dias 7, 8 e 9 de julho. Os bilhetes para a 10.ª edição do festival já se encontram à venda e, este ano, a organização criou um "Plano Poupança NOS Alive 2016" para que os festivaleiros possam ir pagando o ingresso ao longo do ano.

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