Cinema

Doc Lisboa exibe 249 documentários até ao fim do mês

Doc Lisboa exibe 249 documentários até ao fim do mês

19ª edição do Festival Internacional de Cinema arranca esta quinta-feira

Tem lugar assegurado na oferta cultural da capital e ocupa um lugar cada vez mais especial no panorama internacional dos festivais de cinema dedicados ao documentário. Chama-se Doc Lisboa e dá início, esta quinta-feira, à sua 19ª edição.

Pelo Doc Lisboa, até ao dia 31 deste mês, passarão 249 filmes, repartidos pela Culturgest, Cinemas São Jorge, Ideal e City - Campo Pequeno e Cinemateca Portuguesa.

A sessão de abertura, na Culturgest, representa aquilo que direção do festival classifica como "dois gestos de resistência".

"A Terra Segue Azul Quando Saio do Trabalho" narra a história de funcionário de um arquivo cinematográfico que imagina um filme para fazer depois do trabalho. É realizado pelo brasileiro Sérgio Silva, também convidado pelo festival a fazer a curadoria de um programa especial dedicado à Cinemateca Brasileira. Será seguida por "Landscapes of Resistance", da sérvia Marta Popivoda, que segue as memórias de uma mulher de 97 anos, combatente antifascista, uma das primeiras mulheres da resistência na Jugoslávia e sobrevivente de Auschwitz.

O festival terá duas importantes retrospetivas, que decorrerão em simultâneo. A alemã Ulrike Ottinger apresenta uma mostra integral da sua obra, que se espraia por quase meio século. Em paralelo, o Museu do Oriente apresenta uma exposição de fotografias criadas em paralelo com a sua obra cinematográfica. Documentam a sua passagem por lugares como os Estados Unidos, o leste europeu e, muito em particular, a China e a Mongólia.

Também a pioneira italiana Cecilia Mangini, que morreu este ano, será alvo de uma retrospetiva em colaboração ainda com a Cinemateca Portuguesa, onde se apresentará o seu filme póstumo "The World in Shots". No âmbito desta mostra, a curadora Luciana Fina vai moderar uma conversa em torno da obra da cineasta, tendo como convidado o historiador e investigador do cinema italiano Marco Bertozzi.

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Pelo terceiro ano, o espaço Nebulae abre-se a uma nova cinematografia. A Croácia é o país convidado. Serão exibidos nove projetos, aos quais se juntarão outros outros em representação dos países convidados nas duas edições anteriores, a Alemanha e a Geórgia.

A competição internacional será composta por 13 filmes, vindos de origens tão distintas como a Tailândia e o Burkina Faso, a Tunísia ou a China, o Canadá, a França e a Rússia.

O festival que apresenta 51 estreias mundiais de filmes de 62 países, é também uma síntese do que de melhor se faz no cinema documental português, cada vez mais dinâmico e premiado nos festivais internacionais.

Dos 46 filmes portugueses, destacam-se os 11 da competição nacional. Poderão ser vistos os últimos trabalhos de Silas Tiny, Tiago Afonso, Anna Artemyeva, Salomé Lamas, Melanie Pereira, Leonardo Mouramateus, Catarina Botelho, João Lameira, José Oliveira e Marta Ramos, Pedro Figueiredo Neto e Ricardo Falcão e José Vieira

Cinco filmes a não perder:

"Hotel Royal", de Salomé Lamas

Cineasta e artista multidisciplinar, com percurso prolífero e reconhecido internacionalmente, Salomé Lamas dá a palavra a uma criada de quarto de um hotel à beira-mar. "No decorrer dos meus deveres de limpeza, examinei os pertences de cada hóspede do hotel e observei, através dos detalhes, vidas que permanecerão desconhecidas."
Sexta 22, 18h15, São Jorge / Sábado 23, 11h00, São Jorge

"Distopia", de Tiago Afonso

O filme acompanha a mudança no tecido social da cidade do Porto ao longo de 13 anos, entre 2007 e 2020. Demolições, expulsões e realojamentos que afetam a comunidade cigana do Bacelo, a população do Bairro do Aleixo e os vendedores da Feira da Vandoma, pelo olhar do autor de "A Causa e a Sombra" e "Ruído: As Troianas".
Sábado 23, 21h30, São Jorge / Sexta 29, 10h30, Culturgest, Grande Auditório

"Kinorama - Beyond the Walls of the Real", de Edgar Pera

Continuação das experiências em cinema 3D do realizador, surge como resultado de uma década de investigação no formato estereoscópico, capítulo final do filme-dissertação de doutoramento "O Espectador Espantado", abordando temas como tempo e realidade, manipulação e liberdade. Duas oportunidades talvez únicas de ver este trabalho.
Domingo 24, 19h30, Cinema City Campo Pequeno / Terça 27, 19h30, Cinema City Campo Pequeno

"Jane par Charlotte", de Charlotte Gainsbourg

Vendo o tempo a passar, Charlotte Gainsbourg, filha de Jane Birkin e Serge Gainsbourg, começou a olhar para a mãe de forma diferente. Ambas ultrapassaram uma reserva partilhada ao longo dos anos. Pela lente da câmara, expõem-se uma à outra e dão espaço a uma relação entre mãe e filha. Estreia na realização da atriz de Iñarritu, Wenders e von Trier.
Quinta 21, 21h00, Culturgest Pequeno Auditório / Sábado 30, 14h00, Culturgest, Grande Auditório

"The Tale of the King Crab", de Alessio Rigo de Righi e Matteo Zoppis

Velhos caçadores recordam a lenda de Luciano, um bêbado errante de uma aldeia da Tuscia que se envolve em ações vingativas com o príncipe local. Exilado para a longínqua Tierra del Fuego, procura um tesouro mítico, abrindo caminho para a redenção. Coprodução entre Itália, França e Argentina, é o filme do encerramento oficial do festival.
Sábado 30, 21h00, Culturgest, Grande Auditório

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