Cultura

A evolução do português: o português arcaico

A evolução do português: o português arcaico

Numa fase seguinte, temos o português arcaico. Esta fase caracteriza-se pela interação entre os dialetos moçárabes do sul com os dialetos do norte, devido ao avanço dos cristãos para o sul. Assim, começa o processo de diferenciação do português em relação ao galego-português. A separação entre o galego e o português inicia-se com a independência de Portugal (1185) e consolidar-se-á com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota dos castelhanos, em 1385, que tentaram conquistar o país.

No século XIV surge a prosa literária em português, com a Crónica Geral de Espanha (1344) e o Livro de Linhagens, de dom Pedro, conde de Barcelos.

Entre os séculos XIV e XVI, com a expansão do império português, a língua portuguesa espalha-se pela Ásia, África e América, sofrendo influências locais e tendo novas palavras de várias línguas europeias e outras, vindas de terras distantes, sido importadas para o léxico português.

Ora, os primeiros contactos eram assegurados por intérpretes poliglotas, os chamados "lingoas", sendo o português usado não só pela administração colonial e pelos mercadores, mas também entre os oficiais locais e europeus de todas as nacionalidades. Além disso, vários reis do Ceilão (atual Sri Lanka) falavam português fluentemente, e os nobres normalmente tinham nomes portugueses. Os casamentos mistos entre portugueses e as populações locais ajudaram na propagação da língua

Com o Renascimento, aumenta o número de italianismos e de palavras eruditas de derivação grega, tornando o português mais complexo e maleável. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516.

* Professora de Português e formadora do acordo ortográfico

jn.acordoortografico@gmail.com

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