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Haver / ter a ver / ter a haver

Haver / ter a ver / ter a haver

Quando o verbo "haver" é impessoal, ou seja, quando não tem sujeito determinado, emprega-se, apenas, na 3.ª pessoa do singular, independentemente do tempo e modo verbais.

Assim, o verbo "haver", sinónimo de existir, usa-se para significar a existência de alguma (s) coisa(s): "há uma história"; "há muitas crianças"; "haverá problemas"; "houve situações"; "havia muitos casos"; "se dúvidas houvesse".

No entanto, este verbo pode empregar-se em todas as pessoas, quando se comporta como verbo auxiliar, quer nos tempos compostos, quer na conjugação perifrástica: "nós havíamos feito o trabalho"; "eles hão de vencer o campeonato".

Além disso, quando "haver" é verbo principal e significa, por exemplo, "obter" - "os alunos houveram confiança do professor" -, "comportar-se" - os jovens houveram-se muito bem" - e "entender-se"- "pediu que eles se houvessem como pudessem" - emprega-se em todas as pessoas verbais.

Existem ainda expressões com o verbo "haver" que podem ocorrer em todas as pessoas: "haver por bem" - "eles hão por bem irem ao hospital" - ou "haver mister" - "eles hão mister de arranjar colocação".

Por outro lado, "ter a ver" e "ter a haver" são duas locuções verbais que, muitas vezes, são confundidas.

Assim, a primeira pede um complemento de relação introduzido pela preposição "com": "o que tem isto a ver com aquilo?". A segunda ("ter a haver") pede, normalmente, complemento direto, pois trata-se de uma expressão verbal transitiva: "como está tudo liquidado, não temos nada a haver", isto é, "não temos nada a receber".

Contudo, chamamos a atenção para a pronúncia. Efetivamente, na expressão "ter a haver" o "a" é aberto, pois resulta da contração (fónica) da preposição "a" com a primeira sílaba do verbo haver.

* Professora de Português e formadora para a área da língua portuguesa

jn.acordoortografico@gmail.com

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