Cultura

As pronúncias e as consoantes mudas

As pronúncias e as consoantes mudas

Uma vez que são ainda muitas as dúvidas acerca do novo acordo ortográfico, ao longo do mês de agosto, procurar-se-á esclarecer as questões mais problemáticas sobre esse assunto. Sendo assim, começar-se-á por abordar a supressão das consoantes mudas.

A maior alteração na ortografia da língua portuguesa, na variante lusoafricana é a supressão das consoantes mudas ou não articuladas, que não se pronunciam.

Quando há oscilação de pronúncia, aceitam-se as duas grafias. No entanto, não nos podemos esquecer que, tendo cada variante a sua pronúncia, deve seguir-se a respetiva grafia.

Deste modo, existem palavras que deixam de ser escritas com as sequências "cc", "cç", "ct", "pc", "pç" e passam a ser escritas apenas com "c", "t" ou "ç". Isso acontece, porque, nessas sequências, há consoantes que são mudas, ou seja, não são articuladas.

Apesar de toda a informação que vem sendo fornecida acerca deste assunto, há pessoas que continuam a confundir. Até se pode compreender os seus motivos, mas há que estar atento.

Há quem pergunte: «Se, no Brasil, escrevem "recepção", por que motivo não poderei continuar a escrever como sempre escrevi: "recepção"?» É tudo uma questão de critério e o critério do AO é abolir as consoantes mudas. Ora, em Portugal, nós dizemos "receção" e devemos escrever dessa forma. No Brasil, eles pronunciam "recepção" e assim continuam a escrever.

Na verdade, trata-se de uma palavra com dupla grafia (recepção / receção), mas devemos ser criteriosos e se queremos continuar a pronunciar, por exemplo, "corrupto", porque pronunciamos o "p", devemos aceitar que, no Brasil, se escreva "corruto", porque, na pronúncia brasileira o "p" é mudo.

Não nos podemos esquecer que o Acordo Ortográfico de 1990 teve como finalidade reduzir ao mínimo possível as diferenças existentes.

* Professora de Português e formadora do acordo ortográfico

jn.acordoortografico@gmail.com